
Joaquim Capoulas, presidente da direção da APORMOR, alerta para a importância de defender o setor agrícola e o mundo rural num contexto de instabilidade política e social na Europa. O dirigente chama a atenção para a necessidade de valorizar a agricultura, a floresta e os territórios do interior, numa altura em que está prevista uma concentração de agricultores em Bruxelas, no final de novembro, para sensibilizar as instituições europeias e a opinião pública para os problemas do setor. “Estamos num momento de grandes perturbações na Europa, no mundo, mas aqui bem perto de nós”, afirma Joaquim Capoulas, considerando que as recentes manifestações e tensões sociais em vários países europeus têm evidenciado “a fragilidade dos nossos sistemas e dos nossos governos”.
Neste contexto de incerteza, o responsável da APORMOR admite que existem dúvidas quanto à oportunidade de os agricultores voltarem a manifestar-se publicamente para defender os seus interesses. Embora esteja prevista uma concentração em Bruxelas, no final de novembro, o dirigente considera necessário avaliar o momento que se vive na Europa.
A iniciativa pretende chamar a atenção da Comissão Europeia, dos responsáveis políticos e da população para a relevância da agricultura e do conjunto do mundo rural. Joaquim Capoulas considera que estes setores continuam afastados das prioridades políticas, tanto ao nível dos governos nacionais como das instituições europeias. “A agricultura, florestas, em suma todo o mundo rural, todo o interior, […] está muito fora das prioridades dos diversos governos”, afirma.
Apesar das reservas relacionadas com o atual contexto social e político, o presidente da direção da APORMOR sublinha a importância de o setor agrícola conseguir transmitir as suas preocupações e reivindicações, defendendo que qualquer manifestação deve decorrer de forma pacífica e respeitadora da ordem pública.
Na sua perspetiva, a agricultura deve assumir um lugar central nas políticas públicas, não apenas pelo seu contributo económico, mas também pelo papel que desempenha na ocupação do território e na garantia do abastecimento alimentar.
Joaquim Capoulas destaca, neste âmbito, uma expressão do atual ministro da Agricultura, segundo a qual a agricultura não deve ser encarada apenas como o setor primário, mas como o setor primeiro, dada a sua relevância estratégica. “O setor primeiro é aquilo que deve merecer as maiores atenções, devido à importância que tem na ocupação do território, na soberania alimentar e na soberania de cada país”, sublinha.
A eventual mobilização dos agricultores em Bruxelas surge, assim, num contexto de preocupação com o futuro da agricultura europeia e com o reconhecimento do papel dos territórios rurais, num debate que coloca a soberania alimentar e a valorização do interior entre as questões centrais.















