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Joaquim Capoulas destaca importância crescente da APORMOR e do pastoreio extensivo (c/som)

O presidente da direção da APORMOR, Joaquim Capoulas, defende que a importância do pastoreio extensivo tem vindo a ganhar um novo reconhecimento, depois de anos em que o setor esteve, na sua perspetiva, esquecido pelas políticas agrícolas europeias e nacionais. O responsável sublinha ainda o papel da pecuária na gestão do território, na prevenção dos incêndios e na fixação de populações no meio rural.

Criada em 1990, a APORMOR tem vindo a reforçar a sua intervenção na defesa da pecuária extensiva e dos produtores, num contexto em que o setor enfrenta transformações profundas.

Joaquim Capoulas considera que a evolução dos últimos anos veio demonstrar a importância da criação da associação e da sua intervenção na defesa de um modelo de produção que considera fundamental para o território. “A principal motivação da existência e do trabalho que é feito na APORMOR evidencia cada vez mais a oportunidade da sua criação”, afirma o presidente da direção.

Segundo Joaquim Capoulas, a associação começou a alertar, sobretudo a partir de 2012, para aquilo que considerava ser o esquecimento do setor do pastoreio extensivo nas políticas agrícolas. “O setor tinha sido o mais esquecido na Política Agrícola Comum e também nas políticas nacionais, que era o setor do pastoreio extensivo, as vacas e também as ovelhas”, refere.

O responsável recorda que, nessa altura, já existiam sinais de preocupação relativamente à evolução dos efetivos pecuários e ao futuro da atividade, defendendo que os animais em regime extensivo não deveriam ser encarados como um problema no contexto das alterações climáticas. “Eram apelidadas de grandes culpadas das alterações climáticas e isso nós sempre pensámos que não fazia qualquer sentido e que um dia esta situação teria que mudar”, afirma.

Para Joaquim Capoulas, essa mudança de entendimento começou entretanto a verificar-se, sobretudo perante a redução dos efetivos bovinos, ovinos e caprinos na União Europeia.

Na sua perspetiva, esta diminuição tornou ainda mais evidente a importância da pecuária extensiva para a gestão do território rural. “Eles são decisivos para a ocupação do espaço rural, para evitar os incêndios, para gerir os equilíbrios e permitir a permanência das pessoas dentro do território”, salienta.

O presidente da APORMOR considera que esta função ultrapassa a dimensão económica da produção pecuária, assumindo também uma importância ambiental e social, numa altura em que vários territórios rurais enfrentam problemas de abandono e perda de população.

A questão ganha, segundo Joaquim Capoulas, uma relevância acrescida perante as atuais transformações no mercado internacional da carne e as opções tomadas por diferentes países relativamente à produção e importação de carne bovina.

O responsável aponta o exemplo dos Estados Unidos e da evolução da produção de carne na América do Sul, numa reflexão que relaciona as políticas comerciais internacionais com a necessidade de garantir capacidade produtiva e sustentabilidade para o setor pecuário europeu.

Para a APORMOR, a valorização do pastoreio extensivo passa, assim, não apenas pelo reconhecimento do papel dos produtores na economia rural, mas também pela sua contribuição para a gestão e preservação do território.

Joaquim Capoulas entende que o atual contexto veio confirmar preocupações que a associação já vinha manifestando há mais de uma década e reforça a necessidade de políticas que reconheçam o contributo da pecuária extensiva para o futuro das zonas rurais.

Tudo para saber sobre este tema, com Joaquim Capoulas, na rubrica “Espaço Apormor”, que pode ouvir na emissão às 12:45 e às 16:30 horas ou no podcast abaixo:

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