
A Turismo do Alentejo e Ribatejo apresentou um novo estudo sobre o perfil, motivações e comportamento dos visitantes da região, realizado pela Universidade de Évora, que revela mudanças significativas no tipo de turista que procura o Alentejo face ao levantamento anterior, realizado em 2011.
O trabalho, baseado em 2.100 inquéritos realizados em época alta e baixa, conclui que o património natural e paisagístico ganhou protagonismo entre os atributos mais valorizados pelos visitantes, ultrapassando a centralidade que anteriormente era atribuída ao património cultural.
Segundo o presidente da Turismo do Alentejo e Ribatejo, José Manuel Santos, existe mesmo uma “superação de expectativas” relativamente à experiência proporcionada pela região. “O património natural e paisagístico aparece como um elemento valorizador e central. No estudo de 2011 havia claramente um maior predomínio dos aspetos culturais e do património cultural”, afirmou.
O presidente sublinhou ainda que o estudo identifica uma crescente procura de experiências associadas ao descanso, tranquilidade e bem-estar, enquadradas no conceito de “experiência restauradora”. “As motivações principais são a fuga ao stress, descansar e ter tranquilidade. Uma das palavras-chave mais referidas é precisamente a tranquilidade”, destacou.

De acordo com o estudo, o perfil do visitante também está a mudar, com o crescimento de um turismo de segmento médio-alto e de luxo. O turista que visita a região procura cada vez mais experiências diferenciadoras e demonstra maior disponibilidade para gastar em animação turística e atividades complementares. “Há uma alteração no perfil do visitante. É cada vez mais um turista de segmento médio-alto e mesmo de luxo. É menos um turismo de família e mais um turismo de casal ou de amigos”, explicou José Manuel Santos.
O responsável considera que esta tendência representa uma oportunidade para os agentes económicos da região ampliarem a oferta de experiências ligadas à animação e ao lazer.
No que diz respeito ao mercado nacional, a Área Metropolitana de Lisboa continua a ser a principal origem dos turistas portugueses, sobretudo durante a época baixa. Já no verão aumenta o peso de visitantes provenientes das regiões Centro e Norte.
A segurança surge como o segundo atributo mais valorizado pelos turistas, especialmente entre visitantes internacionais, nomeadamente norte-americanos e franceses. Em terceiro lugar surge o acolhimento e a hospitalidade. “Quando dizemos que o Alentejo recebe bem, isso não é um mero claim comunicacional. É verdade”, afirmou José Manuel Santos.

O estudo conclui igualmente que a monumentalidade da região continua a ser uma das principais marcas distintivas do território, embora os eventos culturais tenham sido identificados como uma área com margem de melhoria. “Temos uma grande monumentalidade, castelos e fortalezas, mas provavelmente não temos ainda eventos que consigam fazer viver esse território”, admitiu o presidente da entidade regional de turismo, apontando o Programa de Dinamização das Fortalezas de Fronteira como uma possível resposta para reforçar a animação cultural e turística.
A coordenadora do estudo, Joana Lima, explicou que o objetivo do trabalho passou por “caracterizar o perfil do visitante do Alentejo em termos sociodemográficos, económicos e comportamentais”.
A investigadora acrescentou que foram analisadas dimensões como as motivações da viagem, os meios de transporte utilizados, a experiência turística, os níveis de satisfação e a fidelização ao destino.















