Estremoz celebra centenário de cidade com ciclo de visitas guiadas por especialistas

A associação CIDADE – Cidadãos pela Defesa do Património de Estremoz, em parceria com o Município de Estremoz, preparou um programa especial para assinalar o centenário da elevação de Estremoz à categoria de cidade (1926–2026). Ao longo dos próximos meses, residentes e visitantes são convidados a desvendar as histórias, as memórias e a identidade de uma das cidades mais ricas em património e tradição do Alentejo.

Mais do que meros passeios turísticos, este ciclo propõe uma verdadeira imersão na história e na cultura locais, contando com a condução de especialistas de cada temática e profundos conhecedores da realidade estremocense.

O grande arranque do programa acontece já este sábado, 23 de maio, às 16 horas, com o tema “O Hospital nas Maltesas”. Esta será uma oportunidade para redescobrir o emblemático Convento das Maltesas através do olhar atento e humano do Dr. João Reis, antigo médico de família na cidade. O ponto de encontro está marcado para a Praça da República, de onde os participantes partirão para revisitar as vivências, as memórias clínicas e o impacto social deste espaço histórico na comunidade.

Um programa rico e diversificado até outubro

O cartaz comemorativo estende-se ao longo do ano com propostas que abraçam desde a riqueza geológica ao pulsar cultural e associativo da cidade:

  • 13 de junho (16:00h) | Rossio: Uma viagem pelas vivências e dinâmicas sociais em redor do icónico Rossio Marquês de Pombal, conduzida por João Jaleca.
  • 4 de julho (16:00h) | Pedreira «BENTEL»: O “ouro branco” de Estremoz em destaque numa visita técnica e histórica ao mundo dos mármores. O itinerário será enquadrado por Carlos Santos e pelo Dr. Luís Brito da Luz, incluindo ainda uma passagem pela oficina de mármores de Pereira Véstias.
  • 10 de outubro (16:00h) | Homenagem ao Dr. António José Telmo: Sessão inteiramente dedicada à figura do «Dr. Telmo – jogador de bilhar», com intervenção do Prof. Roque Oliveira, a decorrer na Sociedade Recreativa Popular Estremocense “Porta Nova”.
  • 31 de outubro (16:00h) | Concerto “Música de Filmes”: O encerramento do ciclo far-se-á com as grandes bandas sonoras da Sétima Arte, interpretadas pela Juventude Musical da Associação Musical do Concelho de Estremoz, sob a direção da maestrina Cândida Lóios, na Associação dos Artistas Estremocenses.

Esta iniciativa cultural conta com o apoio do Centro Ciência Viva de Estremoz, da Sociedade de Artistas Estremocense, da Bentel (Sociedade Extractiva de Mármores) e da Sociedade Recreativa Popular Estremocense.

A participação é inteiramente gratuita e aberta a todos os que queiram descobrir ou reencontrar o encanto de Estremoz, não carecendo de marcação prévia.

Royal Pop com Audemars Piguet e a Swatch

Relojoaria · Luxo · Cultura

Royal Pop

Como a Audemars Piguet e a Swatch criaram o fenómeno que ninguém esperava — e o caos que se seguiu

Existe uma contradição no coração de qualquer marca de luxo: para ser desejada, tem de ser inacessível. Mas para sobreviver, precisa de novos clientes. Durante décadas, a Audemars Piguet resolveu essa equação sempre da mesma forma.

Produzindo cerca de 50 mil relógios por ano — ainda assim mais 10 mil do que originalmente —, a AP vive da escassez e mantém listas de espera que duram vários anos. Mas este ano decidiu fazer algo surpreendente: associar-se à Swatch, que vende mais de 3 milhões de relógios por ano.

A parceria, batizada Royal Pop, tornou-se um dos fenómenos mais improváveis da relojoaria recente. O luxo tradicional está a tentar perceber como permanecer relevante num mundo onde a cultura digital, os acessórios colecionáveis e a estética das redes sociais ajudam a definir o significado de desejo.

50mil
Relógios AP / ano
3M+
Relógios Swatch / ano
8
Modelos na coleção
€400
Preço máx. Portugal
€2mil
Revenda imediata

Para ser desejado, o luxo tem de ser inacessível. Mas para sobreviver, precisa de novos clientes.

A contradição fundamental

A coleçãoO que é o Royal Pop?

A coleção parte de um ícone: o Royal Oak, desenhado por Gérald Genta em 1972. Com um design inconfundível — luneta octogonal, oito parafusos hexagonais e o padrão de mostrador conhecido como Petite Tapisserie — pode custar dezenas de milhares de euros. O valor elevado não faz diminuir a lista de espera, apenas colmatada pelo mercado de segunda mão, que continua a crescer.

De acordo com um relatório da Deloitte, o mercado de revenda de relógios de luxo poderá superar o primário dentro de apenas uma década, provando que os ícones não perdem valor.

O Royal Pop preserva a mesma linguagem visual — bisel octogonal, parafusos e padrão do mostrador —, mas não é o esperado relógio de pulso. A Swatch e a AP criaram oito relógios de bolso em biocerâmica colorida, inspirados simultaneamente no Royal Oak e nos Swatch Pop lançados em 1986.

Ao optar por um relógio de bolso, a Audemars Piguet evitou o cenário que mais inquieta os colecionadores: o aparecimento de uma réplica acessível do Royal Oak tradicional. Os novos relógios podem ser usados ao pescoço, pendurados numa mala, transportados no bolso ou colocados sobre uma superfície como objetos decorativos.

No interior encontra-se uma versão de corda manual do movimento SISTEM51 da Swatch, com reserva de marcha superior a 90 horas e espiral antimagnética Nivachron. O preço em Portugal varia entre €380 e €400, consoante as cores.

LançamentoO caos que se seguiu

Na manhã do lançamento, havia filas à porta das lojas Swatch em todo o mundo. Em Lisboa, a situação na loja do Centro Colombo foi semelhante: centenas de pessoas em fila para poucas dezenas de unidades. Nos mercados de revenda, os relógios apareceram imediatamente por valores próximos dos €2000 — cinco vezes o preço original.

No Reino Unido e nos Países Baixos, algumas lojas encerraram por razões de segurança. Em França, a polícia teve de intervir com gás lacrimogéneo para dispersar uma multidão de cerca de trezentas pessoas junto a uma loja perto de Paris. Em Nova Iorque, a inauguração da loja da Swatch em Times Square ficou marcada por empurrões e tumultos.

AnáliseO próximo Labubu?

A comparação com o Labubu — o boneco colecionável da Pop Mart que se tornou viral em todo o mundo — não é acidental. Ambos partilham a mesma fórmula: escassez controlada, lançamento surpresa, distribuição física que gera filas e uma comunidade online que amplifica o desejo muito além do valor intrínseco do objeto.

O Royal Pop é, ao mesmo tempo, um relógio, um acessório de moda, um objeto de coleção e um instrumento financeiro. É a prova de que, no séc. XXI, o luxo não se define apenas pelo preço — mas pela capacidade de gerar um momento cultural.

Alentejo 2030 abre concurso de 1,25 milhões de euros contra o despovoamento

O Programa Regional Alentejo 2030 lançou um novo aviso de concurso que disponibiliza uma dotação orçamental de 1,25 milhões de euros para apoiar projetos inovadores de base territorial. Este financiamento destina-se especificamente às Parcerias para a Coesão Não Urbanas, com o objetivo claro de combater o despovoamento e promover a atratividade das zonas de baixa densidade da região. Através do cofinanciamento do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), que assegura uma taxa de apoio de 85%, o programa pretende fixar novos residentes, atrair empreendedores e dinamizar o tecido económico local a partir da valorização dos recursos naturais e culturais alentejanos.

As entidades integradas nos planos de ação previamente aprovados nas sub-regiões do Alto Alentejo, Alentejo Central, Baixo Alentejo e Alentejo Litoral podem submeter as suas candidaturas de forma totalmente desmaterializada.

O prazo para a apresentação de projetos estende-se até ao dia 10 de julho de 2026, devendo todo o processo ser formalizado através da plataforma digital Balcão dos Fundos. Este incentivo financeiro constitui uma oportunidade estratégica crucial para os territórios do interior, permitindo o desenvolvimento de respostas integradas que fixem competências, gerem emprego e reforcem a coesão social e económica de toda a região do Alentejo.

Fortaleza de Juromenha vence Prémio Nacional de Reabilitação na categoria de Restauro

Em cerimónia realizada esta terça-feira, 19 de maio, no Museu Vista Alegre, em Ílhavo, a intervenção de restauro e conservação da Fortaleza e Castelo de Juromenha recebeu o Prémio Nacional de Reabilitação na categoria de Restauro.

Os prémios nacionais de reabilitação distinguem há 14 anos as melhores intervenções de reabilitação urbana em várias categorias, tendo sido admitidas este ano cerca de 80 candidaturas.

A Fortaleza de Juromenha foi ainda finalista, entre três candidatos, na categoria de Estruturas.

O presidente da Câmara Municipal de Alandroal, João Grilo, dedica o prémio à população de Juromenha e do concelho e destacou a importância desta intervenção para o município e para a região, tendo deixado um agradecimento a toda equipa da câmara municipal, aos responsáveis da altura pelas entidades que se comprometerem com o projeto: Ana Mendes Godinho, António Ceia da Silva e Ana Paula Amendoeira.

Deixou ainda um agradecimento especial à equipa de projetistas (Pedro Pacheco Arquitetos), à empresa responsável pela construção (HCI), à empresa responsável pelo acompanhamento arqueológico (ERA Arqueologia) e fiscalização (Ripórtico).

A Fortaleza de Juromenha está integrada no Programa REVIVE prevendo-se o desenvolvendo de um projeto de natureza turística no seu interior em harmonia com o uso público do monumento.