
A Associação de Produtores de Bovinos, Ovinos e Caprinos da Região de Montemor-o-Novo (APROMOR) decidiu avançar com a implementação voluntária da identificação eletrónica em bovinos entre os seus associados, assumindo os custos dos bolos reticulares, numa medida que pretende reforçar a rastreabilidade e a segurança sanitária no setor pecuário. A decisão surge depois de a identificação eletrónica ter sido tornada obrigatória para ovinos em 2011, enquanto para bovinos chegou a estar prevista para 19 de julho de 2019, tendo essa obrigatoriedade sido anulada poucos dias antes da data prevista.
Segundo Joaquim Capoulas, presidente da direção da APORMOR, a ausência da identificação eletrónica em bovinos continua a levantar preocupações quanto à rastreabilidade dos animais. “Não compreendemos porque é que foi obrigatório a partir de 2011 a identificação eletrónica em ovinos e, no caso dos bovinos, esteve prevista para 19 de julho de 2019 e foi anulada poucos dias antes”, afirmou.
A associação alerta que o atual sistema de identificação com marcas auriculares pode ser suscetível a alterações indevidas, o que pode comprometer o controlo sanitário. “Pensamos que isto permite muita troca de identificações. Uma marca auricular pode ser retirada e substituída por outra, o que pode permitir que animais doentes circulem identificados como não doentes”, acrescentou.
De acordo com a APROMOR, esta preocupação foi já transmitida às autoridades competentes, tendo sido reconhecida a pertinência do tema, mas sem que tenha havido avanços concretos na implementação obrigatória da medida. Perante este cenário, a associação decidiu avançar por iniciativa própria, suportando financeiramente a instalação dos bolos reticulares — dispositivos eletrónicos introduzidos no rúmen dos animais — para os produtores associados. “A APROMOR decidiu implementar esta medida para os seus associados e vai pagar os bolos reticulares, assumindo esse encargo acrescido, para dar o exemplo ao país”, sublinhou Joaquim Capoulas.
A associação destaca ainda o peso do setor pecuário extensivo no concelho e pretende assumir um papel de liderança nacional nesta matéria. “Temos o maior efetivo pecuário extensivo do país no nosso concelho e queremos dar esse impulso para reforçar a rastreabilidade, a segurança sanitária e a confiança no setor”, concluiu.
Tudo para saber sobre este tema, com Joaquim Capoulas, na rubrica “Espaço Apormor”, que pode ouvir na emissão às 12:45 e às 16:30 horas ou no podcast abaixo:














