
O presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Zorrinho, fez o balanço dos primeiros 12 meses de mandato, numa conferência de imprensa com os jornalistas da região, reconhecendo que nem todos os objetivos foram alcançados, mas considerando que o executivo conseguiu concretizar cerca de dois terços do plano inicialmente definido para os primeiros dez meses. O autarca reafirmou a ambição de transformar o concelho e reforçar a posição de Évora como «capital europeia ao sul».
Na ocasião, Carlos Zorrinho começou por recordar a criação do movimento Évora Viva, explicando que o projeto nasceu da vontade de devolver dinamismo, confiança e ambição ao município. “A ideia é muito clara. Parte do princípio que Évora não estava viva, no sentido em que não estava com o seu potencial, não estava animada, estava desmotivada, descrente”, afirmou.
O presidente da Câmara explicou que o objetivo passou por transmitir uma mensagem de confiança nas capacidades do concelho, defendendo que “este município merece mais. Este município pode mais”.
Nesse sentido, o movimento apresentou um programa ambicioso, assente inicialmente num plano de emergência para dez meses e num plano de transformação para dez anos. Carlos Zorrinho reconheceu que esta estratégia contribuiu para elevar as expectativas da população e, consequentemente, o nível de exigência relativamente ao trabalho do executivo. “Era preciso acordar a cidade, era preciso acordar o município e por isso era preciso lançar expectativas fortes com um programa ambicioso”, sublinhou, acrescentando que não está arrependido dessa opção. “Quando hoje somos avaliados, somos avaliados por um nível de exigência que resulta do nível de expectativas que nós próprios criámos”, reconheceu.

Évora quer afirmar-se como capital europeia ao sul
Uma das grandes ambições do executivo municipal passa por reforçar a afirmação de Évora no contexto regional e internacional, procurando posicionar a cidade como «capital europeia ao sul».
Carlos Zorrinho considera que essa afirmação deve assentar na valorização da história e da identidade da cidade, recordando as suas raízes romanas e árabes, o período em que foi a segunda cidade da corte, a Renascença e o papel desempenhado nas revoluções liberais e no 25 de Abril.
Para o autarca, Évora deve assumir a sua centralidade e o papel de liderança natural no Alentejo, bem como reforçar as relações com o sudoeste ibérico. “É uma cidade que não se proclama líder de uma região, mas é naturalmente líder de uma região”, afirmou.
Como exemplo do reconhecimento externo da importância do município, Carlos Zorrinho destacou o convite de Badajoz para que Évora seja o município convidado da FEHISPOR (Feira de Espanha e Portugal). “É um sinal de que nós somos um parceiro, que é um parceiro de referência para este interland todo do sudoeste ibérico em que Évora é fundamental”, considerou.

Videovigilância continua a ser um processo complexo
No balanço do primeiro ano de mandato, o presidente da Câmara reconheceu que há matérias em que os resultados ficaram aquém do pretendido. Entre os exemplos apontados está a implementação do sistema de videovigilância.
Carlos Zorrinho explicou que o processo é complexo, estando o município a trabalhar na reformulação do projeto e na articulação com a PSP. A autarquia procura também encontrar financiamento para concretizar o investimento, tendo em conta os custos associados.
O presidente sublinhou que o executivo tem sido obrigado a fazer escolhas e a estabelecer prioridades em função dos recursos disponíveis. “Nós vamos fazendo aquilo que vamos podendo, fazendo opções em cada momento em termos daquilo que investimos”, explicou.
O autarca reconheceu ainda que existem situações em que a avaliação do executivo e a perceção da população podem não coincidir, considerando que é necessário ter em conta ambas as dimensões. “Temos consciência da exigência, temos consciência daquilo que correu bem e daquilo que correu menos bem. Temos consciência que as perceções são muito importantes e que também há algumas coisas que nós achamos que correram mal, mas que há uma perceção que podiam ter corrido melhor. Portanto, nós temos que responder a isso”, afirmou.
Executivo estima ter cumprido dois terços do plano
Apesar dos constrangimentos e dos atrasos registados em algumas áreas, Carlos Zorrinho considera que o primeiro ano de mandato confirmou a importância de ter assumido um programa ambicioso. “A verdade é que um ano depois eu penso que valeu a pena ter subido as expectativas”, declarou.
O presidente da Câmara revelou, contudo, que o plano inicialmente designado como plano de emergência e transformação passou agora a ser chamado de plano de recuperação e transformação, reconhecendo que a sua concretização não atingiu a totalidade dos objetivos previstos. “Eu acho que não atingimos 100% do plano de recuperação. Diria que fizemos dois terços do plano de recuperação porque alguns dos procedimentos que são necessários são mais morosos do que imaginávamos”, afirmou.
Carlos Zorrinho admite, assim, que a execução de algumas medidas está a exigir mais tempo do que o inicialmente previsto, mas mantém a ambição de prosseguir o trabalho de transformação do concelho, num mandato que pretende marcar pela recuperação da confiança, pela valorização de Évora e pelo reforço da sua afirmação regional e ibérica.















