
A modernização e duplicação do troço ferroviário entre Poceirão e Bombel, na Linha do Alentejo, representa um investimento de 270 milhões de euros e deverá estar concluída até 2030. Para o presidente da Câmara Municipal de Vendas Novas, Ricardo Videira, trata-se de uma intervenção estruturante para o futuro do concelho, com impacto na mobilidade, na atividade económica e na capacidade de atração de empresas e população.
A intervenção abrange cerca de 35 quilómetros de ferrovia, atravessando os concelhos de Vendas Novas, Montijo e Palmela. Do total, cerca de 25 quilómetros correspondem ao troço Poceirão-Bombel e os restantes 10 quilómetros à Concordância do Poceirão.
O projeto pretende eliminar constrangimentos de capacidade, melhorar as condições de exploração ferroviária e reforçar a oferta para o transporte de passageiros e mercadorias, permitindo velocidades até 200 quilómetros por hora nos comboios convencionais de passageiros e até 220 quilómetros por hora nos comboios pendulares.
Para Ricardo Videira, a importância deste investimento deve também ser entendida à luz da própria história de Vendas Novas. “A modernização da Linha do Alentejo é um investimento estruturante para o futuro do concelho de Vendas Novas”, afirma o autarca, recordando que a chegada do caminho de ferro marcou profundamente o desenvolvimento local. “Se nos lembrarmos que em 1856-57 chegou a Bombel o comboio pela primeira vez à nossa região e que depois, em 1861, chegou a Vendas Novas propriamente dita, percebemos quão importante o comboio tem sido para o desenvolvimento local ao longo dos últimos anos”, sublinha.
A intervenção deverá permitir aumentar a capacidade de transporte de passageiros e mercadorias, reforçando as ligações ferroviárias na região e contribuindo para a eficiência logística dos portos e plataformas ferroviárias a sul do país. Até 2030, prevê-se um aumento de cerca de 20% no número de passageiros e que o transporte ferroviário de mercadorias alcance 9.204 comboios por ano, mais cerca de 20% face a 2023.
O presidente da Câmara de Vendas Novas destaca, em particular, o impacto que o reforço das ligações ferroviárias poderá ter na mobilidade diária da população e na competitividade do concelho. “Estes investimentos trazem desde logo o compromisso do reforço da capacidade de transporte de passageiros, que é muito importante nas deslocações quer na direção de Lisboa, quer na direção de Évora”, refere.
Segundo Ricardo Videira, melhores condições de transporte ferroviário poderão contribuir também para a fixação de pessoas e para a atratividade empresarial de Vendas Novas. “É algo que é muito importante para a competitividade local, para a fixação de pessoas e também para a atratividade das nossas empresas”, considera.
O projeto contempla ainda a remodelação das estações de Bombel, Pegões e Poceirão, a adaptação dos apeadeiros de Fernando Pó e São João das Craveiras, a construção de uma nova estação técnica na Bifurcação de Águas de Moura-Sul, a substituição da catenária e a implementação de novos sistemas de sinalização e telecomunicações. Está igualmente prevista a eliminação de passagens de nível, acompanhada pela construção de passagens superiores rodoviárias e pedonais.
Para o município, o desafio passa agora por aproveitar as novas condições criadas pelo investimento ferroviário. Ricardo Videira revela que a autarquia já iniciou contactos com as Infraestruturas de Portugal com o objetivo de melhorar as condições da estação ferroviária de Vendas Novas. “Temos naturalmente como objetivo potenciar o aproveitamento dos investimentos que estão a ser feitos pela IP”, afirma o autarca, acrescentando que o município pretende continuar a trabalhar para reforçar o papel de Vendas Novas enquanto plataforma de mobilidade e logística.
Entre as ambições do município está também a criação, a médio prazo, de uma plataforma rodoferroviária no concelho. Uma possibilidade que, segundo Ricardo Videira, poderá ganhar novos argumentos com a instalação do aeroporto nas proximidades. “Ambicionamos, no futuro de médio prazo, poder de forma mais estruturada diligenciar no sentido de aqui ser estabelecida uma plataforma rodoferroviária”, adianta.
Na perspetiva do autarca, esta infraestrutura poderia contribuir para a criação de emprego e para o dinamismo económico do concelho, ao facilitar a expedição e receção de mercadorias por parte das empresas instaladas ou que venham a instalar-se em Vendas Novas. “Vendas Novas ganha uma nova força, ganha mais centralidade”, afirma Ricardo Videira, considerando que o concelho continuará inevitavelmente ligado à ferrovia. “Vendas Novas é um concelho que foi marcado pela ferrovia no passado, é marcado pela ferrovia no presente, com muitas pessoas que a utilizam diariamente, e já percebemos todos que no futuro também será assim.”
A modernização da Linha do Alentejo surge, assim, como uma oportunidade para reforçar o posicionamento estratégico de Vendas Novas, melhorando as ligações a Lisboa e Évora e criando condições para o crescimento do transporte ferroviário de passageiros e mercadorias, com reflexos na mobilidade, na economia e na competitividade do concelho.














