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Festival Ressoar dá a conhecer património sonoro do concelho de Viana do Alentejo

O concelho de Viana do Alentejo recebe, entre os dias 19 e 25 de julho, a primeira edição do Festival Ressoar, uma iniciativa que pretende valorizar e redescobrir o património sonoro e cultural do território, nomeadamente o som dos chocalhos, guizos e sinos das torres sineiras que marcaram as comunidades.

Promovido pelo Município de Viana do Alentejo e pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, com o apoio das Paróquias de Aguiar, de Alcáçovas e de Viana do Alentejo, o festival é coordenado por Paulo Lima e pretende recuperar uma paisagem sonora, praticamente perdida, recuperando memórias ligadas à pastorícia e à religiosidade.

A iniciativa assume especial significado por dar continuidade à valorização do fabrico de Chocalhos, classificado pela UNESCO, em dezembro de 2015, como Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente. O festival realiza-se, também, no ano em que a FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura destaca como relevante celebrar o movimento e a transumância, as raças autóctones e os produtos associados ao mundo rural.

O Festival está associado à Feira do Chocalho que assenta, nesta edição, na exploração de três dimensões fundamentais relacionadas com o fabrico de chocalhos:

o chocalho como património genético ligado à pastorícia extensiva; o pastoreio e o animal enquanto elementos estruturantes nas relações comunitárias; e a identidade rural do interior alentejano, bem como o cante enquanto elemento da paisagem sonora.

Ao longo da semana, os sinos das Igrejas de Aguiar, Alcáçovas e Viana do Alentejo vão ecoar diariamente ao final da tarde, com o objetivo de recriar uma paisagem sonora que marcou o quotidiano das populações.

Num festival onde o diálogo sobre o tempo e a economia vão estar presentes, no dia 21 de julho, a Igreja de N.ª Senhora da Assunção/Igreja Matriz, em Aguiar, recebe a conversa “A revolução dos produtos secundários e a inovação”, com destaque para a

defesa e valorização do queijo, da lã e das raças autóctones portuguesas, com a participação de Miguel Serra, arqueólogo do Município de Serpa, João Mestre Dias, docente do Instituto Politécnico de Beja, e Paulo Lima, coordenador do Festival e responsável pela candidatura do fabrico do queijo Serra da Estrela a Património Cultural Imaterial.

Para dia 22 de julho, as conversas debruçam-se sobre a “Cultura, património, oportunidade e economia”, a partir das 18h30, no auditório do Santuário de N.ª Sr.ª D’Aires, em Viana do Alentejo, com as intervenções de Luís Metrogos, presidente da Câmara Municipal de Viana do Alentejo, Henrique Sim Sim, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, José Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, e António Costa da Silva, membro da direção da Associação Évora_27.

Já no dia 23 de julho, às 18h30, o auditório do Paço dos Henriques, em Alcáçovas, recebe a conversa “O fabrico de chocalhos e museografia”, com a presença de Fernando Casqueira, investigador e docente universitário, e Fátima Farrica, historiadora do CIDEHUS da Universidade de Évora.

Já no dia 24, sexta-feira, coincidindo com o início da Feira do Chocalho, vai estar em destaque a partir das 10h00, no auditório do Paço dos Henriques, a conferência “O Património Cultural Imaterial”, dedicada à importância da preservação deste património e à valorização do fabrico de chocalhos. Participam nesta conferência Francisco Cardoso, mestre chocalheiro da Fábrica Chocalhos Pardalinho, Hugo Guerreiro, do Município de Estremoz, Jorge Freitas Branco, antropólogo do ISCTE- IUL, Pedro Félix, do Arquivo Nacional do Som, e Luís Filipe Themudo Barata, historiador e professor catedrático da Universidade de Évora.

Ainda nesse dia, às 20h00, no recinto da Feira do Chocalho, no Largo da Gamita, vai ser assinado o “Memorando para a Salvaguarda e Promoção Económica do Fabrico de Chocalhos” entre os municípios de Viana do Alentejo, Reguengos de Monsaraz,

Estremoz e Cartaxo, e a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo. A cerimónia vai contar com a presença da Banda Filarmónica da Sociedade União Alcaçovense.

O Festival Ressoar encerra dia 25 de julho, às 22h30, com um espetáculo que reúne a Carrilhanista Ana Elias, do Carrilhão de Constância, acompanhada pela Banda Filarmónica da Sociedade União Alcaçovense sob a direção do maestro Hugo Monteiro.

A primeira edição do Festival Ressoar reforça a aposta do Município de Viana do Alentejo na valorização do seu património material e imaterial, contribuindo para preservar e divulgar uma identidade cultural única.

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