
O Agrupamento de Escolas de Montemor-o-Novo vai continuar a apostar nos cursos profissionais no próximo ano letivo, reforçando a oferta em áreas como desporto, ação educativa e mecânica, e preparando a abertura de novas formações ligadas à robótica e ao setor dos bombeiros. A aposta passa por aproximar a escola do mercado de trabalho e reforçar a componente prática do ensino.
O subdiretor do agrupamento, Francisco Salgueiro, sublinha que os cursos profissionais representam uma via com múltiplas oportunidades para os alunos. “Para além de concluírem o ensino secundário, têm a possibilidade e saem com essa capacidade e com essa competência de nível 4 de poderem ingressar no mercado de trabalho no dia a seguir”, afirmou, acrescentando que estes estudantes podem também prosseguir estudos no ensino superior. “Não só podem ir para o ensino superior, como também têm alguma facilidade, digamos assim, ou alguns caminhos abertos que outros alunos não têm”, referiu.
Para o próximo ano letivo, a oferta formativa mantém cursos já existentes e introduz novidades. “Vamos manter os cursos que temos este ano e vamos abrir um curso profissional de técnico de mecatrónica”, explicou Francisco Salgueiro. O responsável adiantou ainda a intenção de voltar a abrir o curso de Bombeiro, em parceria com os Bombeiros Voluntários de Montemor-o-Novo, uma formação que terá parte da componente prática nas próprias instalações da corporação.

O subdiretor destaca ainda a forte ligação entre a escola e a comunidade envolvente, sobretudo através da formação em contexto de trabalho. “Estamos a fazer 600 horas de estágio e por isso empresas, clubes, Câmara Municipal, várias entidades do concelho acolhem estes alunos”, referiu, sublinhando que esta ligação permite uma verdadeira aproximação ao mundo laboral. “É a abertura da escola também ao mundo do trabalho e ao contacto com aquilo que nos rodeia”, afirmou.
Francisco Salgueiro defende que o ensino profissional combina teoria e prática de forma equilibrada. “O ensino profissional é um ensino teórico-prático de aplicação de conhecimentos, de concretização e de realização de atividades”, explicou, destacando o papel das parcerias com entidades locais e a importância dos estágios como experiência formativa essencial.
No que respeita ao processo de matrículas, o subdiretor esclarece que este deverá decorrer a partir de meados de julho, após a conclusão dos exames dos alunos do 9.º ano. “Os alunos que tenham interesse no ensino profissional podem, junto do agrupamento, fazer a sua matrícula”, sublinhou.
Também os alunos reforçam a importância desta via de ensino, sobretudo pela componente prática e pela ligação a áreas de interesse pessoal.
No curso de Ação Educativa, a aluna Stefan Silva explicou a sua escolha: “Eu sempre tive muito interesse em crianças, desde pequena que tive contacto com elas, quando abriu este curso pensei: tenho de seguir isto”, adiantou. A estudante destaca ainda a utilidade da formação: “Além de estudarmos, conseguimos aprender uma nova profissão e perceber o desenvolvimento da criança desde os 0 meses até à adolescência”.

Já no curso de Desporto, Tomé Borrazeiro refere que a sua ligação à modalidade foi decisiva. “Sempre gostei muito de desporto e pratico desde pequeno”, afirmou. O aluno admite que mudou de curso após uma experiência no ensino regular: “Estive dois anos em Ciências, mas não me habituei muito aos estudos, agora sinto que está a correr melhor e é o que quero seguir para a vida”. Sobre o curso, destaca a forte componente prática: “Temos uma carga horária muito elevada a fazer desporto”.
No curso de Manutenção Industrial, Guilherme Parreira explica que optou por uma área com mais perspetivas futuras. “Tenho mais saídas na área da manutenção industrial do que no desporto”, referiu, acrescentando que procurou uma formação mais alinhada com o mercado de trabalho. “É uma coisa que gosto, por exemplo, trabalhar em fábricas”, disse, sublinhando também o espírito de entreajuda entre colegas como uma vantagem do curso.
Com uma oferta diversificada e uma forte componente prática, o Agrupamento de Escolas de Montemor-o-Novo procura reforçar o papel do ensino profissional como uma alternativa sólida para os jovens, combinando qualificação escolar, experiência em contexto real de trabalho e diferentes caminhos de futuro.














