
O concelho de Montemor-o-Novo recebe, no próximo dia 11 de abril, às 10h00, mais uma edição da iniciativa cultural “Histórias ao Virar da Esquina — Histórias de Resistência”, da Trimagisto. Um percurso pelas ruas da cidade que convida a comunidade a partilhar memórias e narrativas ligadas à identidade local.
O projeto, criado pela arqueóloga e performer Sira Camacho, chega agora à terceira edição, mantendo a proposta de transformar uma aparente visita guiada num espaço coletivo de partilha de histórias.
“‘Histórias ao Virar da Esquina’ é um projeto que já vai na sua terceira edição e partiu de um desafio que fiz enquanto arqueóloga e guia, convidando os participantes para aquilo que parecia ser uma visita guiada. Aquilo que eu fiz, contudo, foi convidar os participantes a contarem eles as suas histórias. São eles que nos apresentam a cidade”, referiu.
Ao longo das edições, a iniciativa tem vindo a afirmar-se como um espaço de encontro e construção coletiva da identidade local.
“A importância deste projeto está essencialmente nesta questão da identidade — como ela se forma e como resulta da conjunção entre o conhecimento histórico, cultural e científico e as histórias individuais dos habitantes,” sublinha.
Histórias de resistência no feminino em destaque
Nesta edição, o percurso terá como tema central as histórias de resistência, com particular destaque para testemunhos femininos ligados à resistência antifascista.
“Nesta sessão vamos falar de histórias de resistência e fiz convites, inclusive a nível internacional, direcionados a mulheres que fizeram parte da resistência antifascista e que têm imensas histórias para nos contar,” acrescenta.
A escolha do tema surge também como resposta a desafios sociais atuais.
“Vivemos tempos estranhos, em que a misoginia parece estar a ganhar terreno e em que os discursos de ódio estão igualmente a crescer,” afirma.
Um projeto que cria comunidade
Apesar de ter surgido inicialmente por curiosidade pessoal, o projeto revelou rapidamente um impacto significativo na comunidade local.
“Quando criei este projeto parti mais da minha curiosidade sobre os montemorenses do que propriamente sobre o impacto que achei que ele ia ter. O impacto verifica-se e é essencialmente agregador, porque em cada sessão juntam-se pessoas de sítios diferentes, culturas diferentes e faixas etárias diferentes para conversar e partilhar histórias”, acrescentou
Segundo a responsável, esta dinâmica tem permitido criar novas ligações entre pessoas e estimular momentos de aprendizagem coletiva.
“Isto cria uma mini comunidade à volta do projeto e momentos de aprendizagem entre pessoas que, se calhar, por norma, nem se cruzam nem conversam tanto quanto isso”, sublinhou.
Participação aberta à comunidade
A iniciativa mantém-se aberta a todos os interessados, independentemente da idade ou experiência, reforçando o caráter inclusivo do projeto.
“Toda a gente pode participar. Cada sessão tem uma temática, mas a ideia é que seja sempre um espaço de partilha, um espaço de aprendizagem e de conversarmos. Eu sei que a cada esquina há uma história por desvendar e o que eu quero é que venham, não se esqueçam de se inscrever, tragam essas histórias e eu estarei cá para ouvi-las todas”, concluiu Sira Camacho.
O ponto de encontro está marcado para o Largo dos Paços do Concelho, junto à Câmara Municipal de Montemor-o-Novo. A participação é gratuita, mas sujeita a inscrição prévia.














