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Dia Internacional da Mulher é um momento de reflexão sobre os avanços e os desafios

O Dia Internacional da Mulher, celebrado todos os anos a 8 de março, é um momento de reflexão sobre os avanços e os desafios enfrentados pelas mulheres em todo o mundo.

Joana Sofio, do Movimento Democrático de Mulheres de Montemor-o-Novo, recordou aos microfones da RNA, que “o Dia Internacional da Mulher foi criado em 1910 numa conferência internacional de mulheres em Copenhaga e celebrado pela primeira vez na Europa a 8 de março de 1911 com mais de um milhão de mulheres nas ruas como o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora. Teve muita reivindicação do direito ao voto para as mulheres e também de reivindicação da redução de horários de trabalho. Foi sempre um dia de luta pelos direitos específicos das mulheres e, em alguns anos, especialmente pela paz e contra a guerra. Em Portugal, no pós 25 de Abril, foi sendo um dia de festa pelos direitos alcançados na lei e um dia de luta pelo cumprimento destes direitos na vida e contra os retrocessos. Este 8 de março de 2026 não é diferente, é tempo de festa por tudo o que as mulheres alcançaram, mas é também tempo de luta para não andarmos para trás nos direitos das mulheres, contra as injustiças e desigualdades, e sempre pela paz. As mulheres já demonstraram que são indispensáveis para o desenvolvimento da sociedade, têm que ser tratadas com dignidade e os seus direitos específicos têm que ser respeitados”.

“As maiores conquistas foram: o acesso ao ensino e formação, igualdade, o direito de voto e de participação social, política e cultural em igualdade. A nossa Constituição da República Portuguesa e grande parte da nossa legislação são das mais avançadas na Europa em relação aos direitos das mulheres, mas é fundamental que essa legislação se aplique na vida. É necessário que haja serviços públicos de qualidade, empregos com direitos, incluindo os do acompanhamento à família, e aí a vida das mulheres será certamente melhor. Ainda é necessário melhorar a lei de proteção a mulheres vítimas de violência” acrescenta.

A mulher e o mundo do trabalho

“A situação das mulheres no mercado de trabalho combina avanços reais, porque há mais qualificação, presença em todas as profissões, mas há problemas estruturais que continuam a limitar a autonomia económica e as decisões de vida das mulheres. A precariedade, os salários baixos, a dificuldade em conciliar o trabalho e família continuam a afetar de forma desproporcional as mulheres, especialmente as mais jovens, obrigando a adiar decisões de vida que se queria estável, como o nascimento dos filhos. Hoje a desigualdade salarial já não está tanto na tabela, mas nas oportunidades. As mulheres entram com o mesmo salário, mas quando chega a hora da promoção, de escolher quem lidera ou da atribuição de prémios, aquelas que tiveram filhos ou que estão grávidas são muitas vezes penalizadas. E isso vai acumulando ao longo da carreira, por isso é que, mesmo com mais qualificações, as mulheres continuam a ganhar menos e a demorar mais tempo a chegar aos cargos de topo. É necessário que a avaliação seja transparente, a avaliação de desempenho, uma proteção real contra a discriminação associada à maternidade, a partilha equilibrada das responsabilidades familiares e mais mulheres em cargos de decisão, porque a desigualdade também se combate onde se tomam decisões”, rematou.

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