
A imprevisibilidade do clima mediterrânico e a capacidade de adaptação dos agricultores às condições do território estão hoje em destaque na rubrica «Espaço APORMOR», da Rádio Nova Antena, com a participação de Joaquim Capoulas, presidente da direção da Associação de Produtores de Bovinos, Ovinos e Caprinos da Região de Montemor-o-Novo (APORMOR).
Numa reflexão sobre os desafios da atividade agrícola no Alentejo, Joaquim Capoulas chamou a atenção para a irregularidade das condições meteorológicas, que considera particularmente difícil para quem trabalha na agricultura. Como exemplo, recordou as situações de precipitação intensa registadas em algumas zonas do Alentejo, em que a concentração de grandes quantidades de água num curto espaço de tempo acabou por provocar prejuízos, em vez de beneficiar os solos.
O dirigente associativo considera que este cenário deve ser analisado tendo também em conta as características próprias do clima mediterrânico, marcado pela alternância entre períodos de chuva e de seca. Nesse sentido, alertou para a tendência de atribuir às alterações climáticas todos os problemas que afetam o território, defendendo que é igualmente necessário olhar para a forma como os recursos são geridos. “Os nossos antepassados sempre se adaptaram à agricultura aqui neste sequeiro nosso”, recordou, sublinhando que os anos de maior pluviosidade e os períodos de seca fazem parte da realidade agrícola da região há várias gerações.
Joaquim Capoulas evocou ainda episódios históricos de seca, nomeadamente os anos de 1942 e 1943, que apontou como um dos períodos mais dramáticos vividos no país, e recordou também 2005 e 2023 como anos particularmente difíceis para a agricultura.
Na sua perspetiva, a experiência das gerações anteriores deve continuar a ser uma referência na gestão da atividade agrícola, nomeadamente através de uma utilização prudente dos recursos e de um dimensionamento adequado dos efetivos pecuários às condições do território.
Outro assunto que Joaquim Capoulas trás hoje à rubrica semanal, prende-se com o futuro da Praça de Touros de Montemor-o-Novo. O presidente da direção da APORMOR, considera uma pena que o concelho possa perder um espaço profundamente ligado à sua história e tradição tauromáquica. Joaquim Capoulas lamentou a falta de uma solução para o futuro daquele equipamento, admitindo o risco de a praça acabar por ficar abandonada ou mesmo desaparecer.
O responsável associativo destacou a ligação histórica de Montemor-o-Novo à tauromaquia, recordando a existência do segundo grupo de forcados mais antigo do país, bem como a presença de cavaleiros tauromáquicos e ganadarias no concelho.
«É uma pena que Montemor não saiba rentabilizar as suas tradições, a sua história», afirmou, manifestando receio de que este património cultural se perca por falta de entendimento e de uma estratégia para o futuro.
Sobre o processo em torno da praça, Joaquim Capoulas referiu ter tido conhecimento de que o empresário que mantém um contrato com os proprietários poderá abandonar a exploração, por não encontrar condições para dar continuidade ao negócio. Acrescentou ainda que, segundo as informações de que dispõe, terá existido uma proposta de compra do imóvel por parte do empresário, que não terá sido aceite pelo proprietário.
O presidente da APORMOR questionou também o eventual envolvimento da Câmara Municipal na procura de uma solução, referindo que, de acordo com as informações que lhe chegaram, não haverá interesse da autarquia em assumir essa questão.
Joaquim Capoulas deixou um apelo à procura de uma solução que permita preservar a Praça de Touros, defendendo que qualquer iniciativa deverá envolver também o atual empresário e ouvir as pessoas mais ligadas às tradições do concelho.














