
O digital e a inteligência artificial podem assumir um papel cada vez mais relevante na gestão das explorações agrícolas e pecuárias, através de ferramentas que permitem recolher, organizar e analisar informação sobre os animais e a produtividade dos efetivos. A perspetiva é defendida por Joaquim Capoulas, presidente da direção da APORMOR, que considera, no entanto, que a tecnologia deve complementar, e não substituir, a intervenção humana. “Fala-se muito no digital, na inteligência artificial. Queria dar a minha opinião, como é que isto se interage com as práticas normais, tradicionais de conservação dos nossos sistemas agrossilvopastoris e agrícolas”, afirma o dirigente.
Para Joaquim Capoulas, “o digital é algo de muito útil”, mas é necessário ter presente que “a interação humana continua a ser fundamental”.
Na produção de bovinos, a utilização de programas informáticos pode permitir um acompanhamento mais detalhado dos efetivos, nomeadamente através de dados relativos à produtividade, idade dos animais e intervalos entre partos. Segundo o presidente da APORMOR, esta informação pode ajudar o produtor a perceber quando um animal deixa de apresentar um desempenho economicamente interessante. “Ter um programa onde nós possamos gerir os nossos efetivos, saber qual é a produtividade do nosso efetivo, saber quando é que uma vaca está a ser produtiva e quando é que deixa de ser produtiva”, exemplifica.
O acompanhamento dos dados ao longo do tempo permite também avaliar alterações nos ciclos produtivos. “Já os intervalos entre, por exemplo, entre partos deixa de ser tão regular e passa a ser muito mais alargado e, portanto, do ponto de vista económico poderá deixar de ser interessante”, explica Joaquim Capoulas.
A tecnologia pode ainda ser aplicada diretamente aos animais, através de coleiras equipadas com sensores, capazes de recolher informação sobre o seu estado e comportamento. “Há umas coleiras que se aplicam aos animais e permite ver quando é que os animais estão doentes, quando é que os animais estão em vias de ter um parto, se tudo está a correr bem, se estão com febres, se não estão”, refere.
Para o dirigente associativo, estas ferramentas representam novas possibilidades para o acompanhamento dos efetivos e para uma gestão mais informada das explorações, mantendo-se a experiência e a intervenção dos produtores como elementos essenciais na atividade agrícola e pecuária.














