
“Cidadãos do Futuro Depois da Liberdade” é o nome da exposição que está patente no Pavilhão de Exposições do recinto da Feira da Luz/Expomor, em Montemor-o-Novo, integrada nas comemorações dos 50 anos da Constituição da República Portuguesa.
A mostra propõe uma viagem pela evolução da Constituição, desde a sua origem até à atualidade, cruzando os principais marcos nacionais com acontecimentos e transformações ocorridas no território de Montemor-o-Novo.
A curadora da exposição, Joana Torgal, explica que um dos principais desafios passou precisamente por trabalhar uma matéria tão extensa num espaço e num contexto de feira. “Falarmos da Constituição é falarmos de centenas de artigos e dimensões que são bastante elaboradas e complexas para se transmitir numa exposição”, afirma, sublinhando que foi necessário selecionar “os marcos mais relevantes” e construir uma timeline que permitisse acompanhar a evolução da Constituição a nível nacional e os seus reflexos no concelho.
A exposição está organizada em diferentes níveis de leitura. Numa primeira camada, é apresentada a evolução da Constituição a nível nacional e local, seguindo-se uma abordagem às várias dimensões da vida no território.
Joana Torgal explica que foram definidos seis grandes núcleos: “trabalho e vida digna, saúde e qualidade de vida, habitação e território, inclusão e igualdade, educação, cultura e conhecimento e expressão e participação.” Em cada um deles foram selecionados artigos e acontecimentos considerados representativos, procurando relacioná-los com aquilo que, na prática, foi sendo concretizado no concelho.

A informação é apresentada através de texto, registos fotográficos e aquilo que a curadora designa por “dispositivos de consciência”, jogos que procuram estimular a reflexão dos visitantes e, simultaneamente, permitir ao município conhecer a visão dos cidadãos sobre o trabalho desenvolvido e sobre a relação com o próprio concelho. “Não só estimulam a reflexão individual, mas também servem de auscultação ao próprio município”, explica Joana Torgal, acrescentando que se pretende que estes mecanismos promovam “algum exercício de cidadania junto de cada um de nós”.
Mais do que transmitir conhecimentos sobre o texto constitucional, a exposição procura levar os visitantes a refletir sobre o papel que cada cidadão desempenha na sociedade. Para a curadora, a premissa central foi mostrar que “nós é que mantemos viva” a Constituição e que, embora a liberdade tenha dado voz aos cidadãos, “a participação é o que nos vai dar o futuro”.
É também neste contexto que surge o Cinecafé República, pensado como um espaço informal de encontro e conversa, acompanhado por um cantinho de leitura com literatura destinada a diferentes públicos. A exposição prolonga-se ainda para o exterior, através de uma programação que cruza memória e futuro, recorrendo, nomeadamente, a conteúdos dos arquivos da RTP e à reflexão sobre as transformações que estão a marcar as novas gerações.
A dimensão participativa e intergeracional da iniciativa é igualmente destacada por Ana Paula Ribeiro, do Serviço de Divisão de Educação, Saúde e Ação Social da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo. “Temos de tornar isto de uma forma ativa, de uma forma interativa e intergeracional”, afirma, defendendo que é importante que todos possam compreender “o que é que é a Constituição da República Portuguesa, o que é que nos trouxe, que deveres, que direitos, que garantias” e, sobretudo, o que pode ser feito para preservar essas conquistas.

A responsável deixa ainda um apelo direto à participação dos munícipes: “Participem, digam o que sentem, o que é que gostariam de ter na vossa cidade, no vosso concelho, na vossa freguesia, o que é que não gostam. Digam-nos.”
Para Ana Paula Ribeiro, esta participação exige também uma tomada de consciência de que “todos temos o poder de contribuir e de ajudar a melhorar a vida”, numa perspetiva em que áreas como a inclusão, a cultura e a relação entre vizinhos fazem parte de um todo.
A participação não fica, contudo, limitada ao interior do Pavilhão de Exposições. Um dos desafios colocados à equipa foi precisamente “levar o pavilhão para fora do pavilhão”, através do Passaporte da Cidadania.
Joana Torgal explica que esta iniciativa permite associar a participação a um percurso pelo recinto da Feira da Luz. “Os visitantes são convidados a percorrer diferentes stands, onde encontram totens com cerca de quatro perguntas de escolha múltipla.
Depois de responderem às questões, os participantes recebem um carimbo em cada ponto do percurso. “Não há respostas certas nem erradas, carimba-se”, explica a curadora. Depois de concluído o percurso, é colocado um último carimbo e cada participante pode escolher um brinde.
A exposição “Cidadãos do Futuro Depois da Liberdade” transforma, assim, a celebração dos 50 anos da Constituição numa oportunidade para conhecer a história, refletir sobre os direitos e deveres conquistados e, sobretudo, reforçar a ideia de que a cidadania não se esgota no conhecimento das leis, mas concretiza-se na participação ativa de cada cidadão na vida da comunidade.
















