
Os danos provocados pelas intempéries em Odemira continuam a exigir intervenções em várias áreas do território. Estradas municipais, acessos às praias, estruturas junto ao rio Mira e portos de pesca foram afetados, levando o município a reformular projetos e a procurar financiamento para responder aos prejuízos.
Na rede viária, um dos exemplos apontados pelo presidente da Câmara Municipal de Odemira, Hélder Guerreiro, é a estrada entre Boavista dos Pinheiros e Sabóia. A intervenção inicialmente prevista para melhorar o pavimento teve de ser alterada depois dos danos provocados pelas intempéries. “Com as intempéries acabámos por ter que reformular tudo aquilo que era esse projeto de intervenção”, explica o autarca, acrescentando que foi necessário refazer o projeto para responder a problemas como danos nas passagens hidráulicas e abatimentos em diferentes pontos da estrada.
O objetivo passa agora por uma intervenção mais abrangente, destinada não apenas a recuperar a via, mas também a reforçar a sua resistência. “A intervenção é quase, diria, para recuperar e ganhar resiliência desta estrada” às intempéries, afirma Hélder Guerreiro.
A obra prevista para uma primeira metade da estrada representa um investimento de cerca de 750 mil euros. Ficará ainda por concretizar a intervenção na restante extensão da via.
Outra das situações identificadas pelo município é a M501, entre Santo António e os concelhos de Monchique e Aljezur, através da serra. A estrada continua interrompida e, segundo o presidente da Câmara, será necessária uma intervenção de grande dimensão para a sua recuperação.
A lista de estradas municipais afetadas estende-se ainda a outras zonas do concelho, nomeadamente às ligações entre Luzianes e Corte Brique, Corte Malhão e Pereiro Grande. O município já identificou os prejuízos e comunicou-os ao Governo.
Hélder Guerreiro espera que o financiamento associado ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) possa contribuir para suportar parte destas intervenções. Caso contrário, admite que a Câmara Municipal poderá ter de recorrer novamente a financiamento próprio. “Senão a Câmara Municipal de Odemira vai ter que fazer um novo investimento, um novo empréstimo para repor tudo isto”, alerta.
750 mil euros para a linha de costa
Também a linha de costa sofreu danos com as intempéries. Nesta área, o município já recebeu uma resposta do Ministério do Ambiente através de um contrato-programa no valor de 750 mil euros.
De acordo com Hélder Guerreiro, este financiamento já permitiu concretizar algumas intervenções e deverá agora possibilitar uma atuação mais consistente nos acessos às praias.
A intenção passa igualmente por começar a trabalhar em questões relacionadas com as arribas e com a segurança das zonas balneares, numa lógica de prevenção e reforço da proteção das pessoas e das infraestruturas.
Rio Mira continua a preocupar
Já no rio Mira, a Câmara Municipal aguarda ainda respostas mais concretas para os danos registados, nomeadamente nos cais.
O município está, contudo, a trabalhar com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) para preparar uma intervenção de desassoreamento em pontos considerados prioritários. “Há esse, pelo menos, compromisso de agora fazermos o projeto e depois lançarmos a obra”, explica o presidente da Câmara, que espera que o processo possa avançar em articulação com as entidades responsáveis.
Molhe de Vila Nova de Milfontes é situação crítica
Entre os problemas identificados está ainda o estado do molhe do porto de pesca de Vila Nova de Milfontes. Alguns dos prejuízos registados nos portinhos de pesca já foram recuperados pelo município, mas permanece por resolver a questão da responsabilidade pela intervenção no molhe.
Hélder Guerreiro considera urgente encontrar uma solução, alertando para o agravamento dos custos caso a intervenção continue a ser adiada.“Neste momento se calhar eram alguns milhares de euros, mas se não se chegar à frente um responsável por aquela intervenção, não tenho dúvidas nenhumas de que para o ano serão milhões de euros para recuperar aquele espaço”, afirma.
O autarca sublinha que a ação do mar não pode esperar pela resolução dos processos administrativos. “O mar não está à espera de previsões de investimento e de quem é que é responsável por o fazer”, reforça.
O Município de Odemira pretende, assim, continuar a pressionar e a articular-se com as diferentes entidades para encontrar soluções para os prejuízos provocados pelas intempéries. Entre a recuperação das estradas municipais e a proteção da linha de costa e das estruturas do rio Mira, o desafio passa agora por garantir financiamento e intervir antes que os danos se agravem e impliquem custos ainda mais elevados.















