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Cortejo Histórico e Etnográfico de Coruche celebra 80 anos de memória e identidade

As ruas de Coruche voltam a transformar-se num palco de memória e identidade no dia 17 de agosto, com a realização de mais uma edição do Cortejo Histórico e Etnográfico. A iniciativa, marcada para as 11 horas, assinala este ano os 80 anos de uma tradição iniciada em 1946, reunindo freguesias, associações, coletividades e participantes de todo o concelho.

Sob o tema “Aqui está Coruche: Uma História de Gerações – Do Ribatejo ao Cortejo”, o desfile integra as celebrações do Dia do Campino e do feriado municipal. Ao longo do percurso serão recuperados costumes, atividades, profissões, tradições e formas de vida que contribuíram para construir a identidade da comunidade coruchense.

Mais do que uma viagem ao passado, o Cortejo pretende mostrar como a memória coletiva continua a ser transmitida entre gerações. A preparação envolve investigação, consulta de arquivos fotográficos, recolha de testemunhos e recuperação de conhecimentos relacionados com antigos ofícios e práticas tradicionais.

Trajes, carros alegóricos e diferentes representações do quotidiano são preparados por associações, juntas de freguesia, famílias, casas agrícolas, ranchos, investigadores e voluntários. Um trabalho coletivo que permite transformar memórias individuais numa representação da história comum do concelho.

Do trabalho rural à vida comunitária

O mundo rural assume particular destaque nesta edição. A relação com a agricultura, a criação de gado bravo, o trabalho nas eiras, os olivais, a vinha, a pastorícia e a produção de pão fazem parte de um retrato de Coruche profundamente ligado à terra.

Também os antigos modos de vida e as relações de vizinhança são evocados, desde as deslocações entre montes durante as campanhas agrícolas até às atividades desenvolvidas junto ao rio Sorraia. O trabalho, a entreajuda, o comércio e os momentos de convívio ajudam a reconstruir o quotidiano de diferentes gerações.

A dimensão cultural e associativa estará igualmente representada através das memórias ligadas aos cafés, ao teatro, à música, ao folclore, às marchas populares e às festas. O rio Sorraia, enquanto espaço de trabalho, lazer e também de episódios marcantes, integra igualmente esta narrativa coletiva.

O campino como símbolo do Ribatejo

A figura do campino volta a ocupar um lugar central no Cortejo. Presente desde os primeiros anos da iniciativa, representa a ligação de Coruche à atividade agropecuária, ao cavalo e ao gado e constitui uma das figuras mais reconhecidas da cultura ribatejana.

A realização do Cortejo no Dia do Campino reforça essa ligação entre território, trabalho e identidade, num momento que pretende homenagear não apenas esta figura tradicional, mas também todos aqueles que contribuíram para preservar e transmitir a cultura local.

A edição de 2026 associa ainda aos 80 anos do Cortejo a evocação dos 90 anos da institucionalização do Ribatejo, alargando a celebração à dimensão regional da identidade coruchense.

O Cortejo Histórico e Etnográfico regressa, assim, às ruas de Coruche no dia 17 de agosto, às 11 horas, num encontro entre passado e presente. A iniciativa procura mostrar que o património não é apenas aquilo que ficou para trás, mas também o conhecimento que continua a ser partilhado e recriado pelas novas gerações.

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