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Évora_27 regressa à Feira de São João com programação que cruza tradição, memória e criação contemporânea

 O projeto Évora_27 regressa à Feira de São João, em Évora, entre os dias 23 de junho e 5 de julho, com uma programação cultural que transforma o Jardim das Laranjeiras e o Coreto do Jardim Público em espaços de encontro entre memória, património imaterial e criação artística contemporânea.

Sob o mote do “vagar” e da participação comunitária, a iniciativa apresenta dois polos principais de intervenção artística: um espaço dedicado à recolha e partilha de memórias, e um palco diário de programação ao vivo que junta música, poesia, circo e cruzamentos interculturais.

Jardim das Laranjeiras: memória e participação coletiva

No Jardim das Laranjeiras, o stand de Évora_27 propõe uma abordagem participativa e intergeracional, com uma exposição fotográfica, um mural de ideias dirigido aos jovens, jogos tradicionais e um ponto de digitalização de fotografias antigas.

Este espaço convida o público a contribuir para uma futura exposição coletiva, através da partilha de memórias pessoais ligadas ao território alentejano. A iniciativa pretende reforçar a preservação do património imaterial e estimular a construção de uma memória coletiva contemporânea.

Coreto do Jardim Público: programação diária às 20h27

O Coreto do Jardim Público acolhe diariamente, às 20h27 em ponto, o ciclo artístico “20:27”, uma programação que cruza linguagens artísticas e diferentes tradições musicais, com forte ligação ao património cultural alentejano.

O programa inclui atuações de cante alentejano, viola campaniça, poesia, música intercultural e novo circo, reunindo artistas nacionais e internacionais num diálogo entre tradição e inovação.

Entre os destaques estão os concertos de cante com Cantares d’Évora, Granjarte – Grupo Feminino de Cantares Alentejanos de Granja e o Grupo Coral e Etnográfico de Viana do Alentejo, bem como o recital conjunto da poetisa Alice Neto de Sousa com o baterista eborense Xinês.

A programação estende-se ainda a projetos de fusão musical e intercultural, como as colaborações entre La Familia Gitana & António Poppe, e Fazel Sapand, Luciana Costa & Mili Vizcaíno, que cruzam influências alentejanas, ciganas, afegãs e espanholas.

A viola campaniça assume um papel central com apresentações de Pedro Mestre, Tozé Bexiga e Guilherme Faísco, enquanto a música contemporânea ganha expressão com Maria Reis, distinguida com o Prémio Autores da SPA, e Filipe Sambado, que apresenta uma abordagem ao conceito de “vagar” alentejano.

O programa inclui ainda a fusão entre tradição e eletrónica com Helena Caldeira & Surma, o coletivo Madraça, e a colaboração de Laz Hay com músicos da Associação Filarmónica Liberalitas Julia, ampliando o espectro sonoro da programação.

O novo circo está representado por João Pataco, com a criação “Monstrum”, e a dimensão comunitária é reforçada com a tertúlia “Rir com Vagar”, promovida pela Associação de Escritores do Alentejo, dedicada às anedotas tradicionais alentejanas.

Uma feira como espaço cultural e comunitário

A organização destaca que a Feira de São João se afirma como um espaço de encontro entre culturas e comunidades, reforçando o papel da arte como instrumento de participação cívica, preservação de património e experimentação contemporânea.

Para o diretor artístico de Évora_27, John Romão, o projeto sublinha a importância da diversidade cultural e da criação partilhada: “A Feira de São João é um espaço de encontro de culturas e comunidades. Évora_27 reafirma aqui a sua missão, ao promover a participação, linguagens e vozes diversas, valorizando o património e abrindo espaço para a experimentação”, afirmou.

O responsável deixou ainda um convite ao público para participar ativamente na programação: “venha partilhar memórias e ideias, ouvir, rir, conversar e participar nesta celebração do Alentejo em diálogo com o mundo”.

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