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Alma d’Arame celebra 20 anos com edição reforçada do Encontro Internacional de Marionetas em Montemor-o-Novo

A cidade de Montemor-o-Novo volta a receber, entre 29 de maio e 7 de junho, a 18.ª edição do Encontro Internacional de Marionetas de Montemor-o-Novo, numa programação que este ano ganha um significado especial por assinalar os 20 anos da Alma d’Arame.

A efeméride marca o percurso da estrutura artística e atravessa toda a edição do festival, que reforça a sua dimensão nacional e internacional, bem como a ligação ao território.

Duas décadas de percurso “positivo, mas feito de desafios”

O diretor artístico da Alma d’Arame, Amândio Anastácio faz um balanço do caminho percorrido pela companhia ao longo de duas décadas, destacando um crescimento contínuo, embora não isento de dificuldades. “O balanço destes primeiros 20 anos é claramente positivo. Foram 20 anos de muitas conquistas, muitas lutas e também algumas frustrações pelo caminho, mas sempre com um crescimento sustentado, com os nossos próprios recursos e com o apoio de parceiros.”

Esse percurso traduziu-se também em mudanças estruturais na organização: “Este ano reflete também uma nova fase para nós, com a mudança de instalações, com um novo espaço e melhores condições tanto para o público como para a equipa.”

A estabilidade do projeto é outro dos pontos sublinhados pelo responsável artístico, que destaca o enquadramento institucional da companhia. “Somos uma estrutura com apoio sustentado da DG Artes e fomos propostos para renovação automática, o que garante continuidade ao nosso trabalho.”

Paralelamente, a Alma d’Arame reforça a sua ligação a redes internacionais e projetos europeus: “Temos um projeto ligado à Évora 27 e estamos também envolvidos, com vários parceiros europeus, num projeto de grande dimensão no âmbito da Europa Criativa.”

Um festival especial com estreias e identidade própria

Esta edição do festival surge também marcada pela celebração interna da companhia e por uma programação reforçada. “É um festival especial, porque se insere na comemoração dos 20 anos da companhia. Vamos ter quatro estreias nacionais, o que é muito significativo para nós”, refere Amândio Anastácio.

O diretor artístico sublinha ainda a importância de afirmar Montemor-o-Novo como território de criação: “É um privilégio para uma cidade do interior. Montemor mostra-se como uma cidade dinâmica, viva, onde os artistas querem estar e onde escolhem estrear os seus espetáculos.”

O tema escolhido para esta edição é a “aceitação”, uma linha que atravessa vários dos espetáculos programados: “Nos dias de hoje, é cada vez mais importante reconhecer e aceitar o que somos, enquanto indivíduos e enquanto coletivo.”

Estreias internacionais e criação contemporânea

Entre os destaques da programação está a criação da companhia franco-canadiana Elly Chris, centrada na temática da menopausa. O projeto nasceu de uma residência artística na Alma d’Arame e continua o seu desenvolvimento no Espaço do Tempo. “É um espetáculo que esteve em residência connosco no ano passado e que estreia agora em Montemor-o-Novo”, explica o diretor artístico.

A programação inclui ainda propostas para a infância da artista Catarina Falcão, duas criações da companhia Os Limites 0, do Porto, e a abertura oficial do festival com Capote, coprodução entre a Alma d’Arame e a Teatrão, a partir de um texto de Nicolai Gogol.

Cidade transformada em palco

O festival distribui-se por vários espaços de Montemor-o-Novo, numa lógica de ocupação artística do território. “Grande parte da programação vai passar pelo Cine Teatro Curvo Semedo”, refere Amândio Anastácio.

Mas a edição deste ano alarga-se a novos espaços e equipamentos: “Vamos também abrir oficialmente a Carvoaria, o nosso novo espaço. Teremos ainda espetáculos no Parque Urbano, na Escola de São Mateus, no Mercado Municipal, no Espaço do Tempo e na Oficina Magina”, concluiu.

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