
A Associação de Produtores de Bovinos, Ovinos e Caprinos da Região de Montemor-o-Novo (APORMOR) anunciou que está a analisar a implementação de medidas próprias de biossegurança nas explorações pecuárias, face ao aumento do risco de doenças emergentes e à proximidade da primavera, período associado ao crescimento da atividade de vetores transmissores.
Em comunicado divulgado a 25 de março, a direção da associação manifesta preocupação com a possibilidade de entrada da Dermatose Nodular Contagiosa (DNC), uma doença classificada no nível A pela União Europeia. Esta classificação implica que, em caso de deteção numa exploração, seja obrigatório o abate total do efetivo afetado, medida que a APORMOR considera desproporcionada, mas atualmente em vigor.
A associação questiona ainda a ausência de identificação eletrónica obrigatória em bovinos, semelhante à já implementada na espécie ovina. Para a APORMOR, a identificação eletrónica através de bolo reticular representa uma ferramenta fundamental não só para reforçar o controlo sanitário, mas também para prevenir roubos e trocas fraudulentas de identificação animal.
No documento, a associação refere que algumas propostas, como a suspensão de feiras e leilões, poderiam ter efeitos negativos. Segundo a APORMOR, a realização destes eventos permite um controlo sanitário mais eficaz à entrada dos parques, evitando a circulação descontrolada de compradores entre explorações, o que poderia representar um retrocesso significativo em termos sanitários e comerciais.
Enquanto aguarda orientações oficiais das autoridades competentes, a APORMOR está a estudar a adoção de medidas próprias destinadas a reforçar a segurança sanitária e a rastreabilidade animal.
Entre as ações em análise destacam-se: Incentivo à identificação eletrónica por bolo reticular em bovinos pertencentes a associados, com apoio financeiro superior ao custo adicional da tecnologia; Atribuição de prémio adicional, superior ao custo da identificação, a animais não associados identificados eletronicamente e apresentados nos leilões da associação; Desinsetização obrigatória por pulverização de todos os animais à entrada do parque da APORMOR.
A direção da associação sublinha que estas medidas poderão ser ajustadas, reforçadas ou anuladas conforme a evolução da situação sanitária e as decisões das autoridades competentes.
O comunicado foi emitido em Montemor-o-Novo e reflete a preocupação crescente do setor pecuário com a prevenção de doenças emergentes e a necessidade de reforçar mecanismos de controlo sanitário e rastreabilidade dos efetivos.















