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ULSAC reforça resposta integrada às pessoas com demência e aos seus cuidadores

A Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC) promoveu, esta segunda-feira, 21 de setembro, no Palácio D. Manuel, em Évora, um encontro dedicado à demência e à integração de cuidados, no âmbito do projeto VivaMente Évora.

A iniciativa assinalou o Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer e reuniu profissionais de saúde, instituições e outros parceiros da comunidade para refletir sobre os desafios associados à demência e a importância de reforçar as respostas dirigidas às pessoas com a doença e aos seus cuidadores.

Coordenado pela Unidade de Cuidados na Comunidade de Évora, o VivaMente é um programa comunitário destinado a pessoas com demência em fase ligeira a moderada e aos seus cuidadores informais. O projeto procura promover uma intervenção de proximidade, articulando diferentes áreas e recursos da comunidade.

A resposta inclui sessões de estimulação cognitiva em grupo, acompanhamento domiciliário, intervenção centrada na pessoa e apoio psicoeducativo aos cuidadores, procurando contribuir para a manutenção da autonomia e da qualidade de vida das pessoas com demência e para a sua permanência no domicílio durante o maior período possível.

Durante o encontro, a psicóloga clínica Catarina Alvarez abordou o tema “Viver Melhor com Demência”, enquanto o professor Manuel Caldas de Almeida apresentou uma intervenção dedicada ao Plano Nacional de Saúde para as Demências.

O modelo e a implementação do VivaMente Évora foram apresentados pela coordenadora do programa, a enfermeira especialista Ana Carla Coelho, da ULSAC, e pelo professor António Fonseca, consultor da Fundação Calouste Gulbenkian, que deu também a conhecer a perspetiva da iniciativa Gulbenkian Home Care 2.0, que apoia a implementação do projeto.

A importância da articulação com as entidades da comunidade esteve igualmente em destaque. Helena Ferro, diretora do Departamento Sociocultural da Câmara Municipal de Évora, e João Cachaço, diretor executivo da Cáritas Arquidiocesana de Évora, abordaram o papel das instituições parceiras no desenvolvimento do VivaMente.

O programa incluiu ainda o momento “Na Primeira Pessoa”, que permitiu conhecer a realidade de quem acompanha diretamente uma pessoa com demência, através do testemunho de Maria Elisa Domingues, jornalista e cuidadora informal.

Segundo os dados apresentados pela ULSAC, cerca de 205 mil pessoas vivem atualmente com demência em Portugal, número que poderá chegar às 322 mil em 2037. O país apresenta uma prevalência de 19,9 casos por cada mil habitantes, sendo apontado como o quarto país da OCDE com maior prevalência de demência.

As projeções da Alzheimer Europe apontam igualmente para um aumento de 64% do número de pessoas com demência na Europa até 2050, números que reforçam a necessidade de desenvolver respostas de proximidade e de melhorar a articulação entre os diferentes setores.

No Alentejo, as características demográficas e geográficas colocam desafios acrescidos à prestação de cuidados, tornando particularmente relevante a existência de respostas comunitárias articuladas e próximas das pessoas e das famílias.

O VivaMente Évora reúne profissionais de várias áreas, incluindo Enfermagem, Terapia Ocupacional, Terapia da Fala, Psicologia, Serviço Social, Fisioterapia e Assistência Operacional, procurando assegurar uma intervenção multidisciplinar e individualizada.

Para Ana Carla Coelho, coordenadora do projeto, o objetivo passa por “construir uma resposta de proximidade, centrada na pessoa com demência e no seu cuidador”, através de uma intervenção articulada entre a saúde e os diferentes parceiros da comunidade.

A responsável considera ainda que o encontro constitui uma oportunidade para reforçar essa articulação, partilhar experiências e “continuar a construir respostas cada vez mais integradas e ajustadas às necessidades das pessoas e das famílias”.

O projeto prevê também uma avaliação contínua dos resultados da intervenção, com o objetivo de medir o impacto do programa na qualidade de vida das pessoas com demência e dos seus cuidadores e contribuir para o desenvolvimento de respostas comunitárias mais eficazes e sustentáveis.

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