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ExpoMor 2026 quer aproximar as crianças do mundo rural e sensibilizar para a importância da atividade agrícola

A ExpoMor 2026, em Montemor-o-Novo, realiza-se de 2 a 6 de setembro e volta a colocar o mundo rural no centro das atenções. Entre as iniciativas dirigidas às novas gerações, destaca-se o dia dedicado às crianças, com a visita de alunos das escolas e jardins de infância do concelho ao recinto do certame.

Para Joaquim Capoulas, presidente da direção da APORMOR, esta é uma oportunidade para proporcionar às crianças um contacto direto com os animais, com a atividade agrícola e com a realidade do campo. A associação tem vindo a assumir esta vertente pedagógica como uma das dimensões importantes da ExpoMor, procurando contrariar uma visão cada vez mais distante da realidade rural. “Queremos mostrar às crianças o que é a vida do campo, o que são os animais”, explica Joaquim Capoulas, defendendo que é necessário criar uma imagem diferente do mundo rural junto das gerações mais novas. Nesse contacto, acrescenta, é também possível explicar o papel dos animais na gestão do território.

O responsável da APORMOR dá como exemplo a pecuária extensiva e a utilização da vegetação pelos animais. “As vacas andam no campo juntamente com as ovelhas e as cabras, a consumir o excesso de vegetação que lá há”, afirma, considerando que esta dinâmica contribui para reduzir a quantidade de matéria vegetal disponível e, consequentemente, para diminuir o risco de propagação dos incêndios.

A preocupação de Joaquim Capoulas estende-se à desertificação e ao abandono do território rural. Na sua perspetiva, a perda de população e de atividade no campo pode provocar desequilíbrios que acabam por ter reflexos também nas zonas urbanas. O responsável aponta, a este propósito, a presença crescente de animais selvagens em áreas urbanas e balneares como um exemplo das consequências do afastamento entre a atividade humana e a gestão do território. “A natureza não se regula mesmo sem a presença do homem”, defende, sustentando que a presença humana é necessária para assegurar uma gestão equilibrada dos espaços rurais.

Para o presidente da APORMOR, essa gestão passa sobretudo pela permanência de pessoas no território. “O campo tem que ser ocupado, tem que ser preservado, e é com pessoas”, afirma, sublinhando que não basta defender a preservação da paisagem sem garantir condições para que as famílias possam viver no meio rural.

Nesse sentido, considera essencial assegurar sustentabilidade económica, escolas e serviços que permitam fixar população e proporcionar às crianças e jovens condições semelhantes às existentes nos centros urbanos.

É também neste contexto que Joaquim Capoulas atribui um papel importante às associações ligadas ao mundo rural. “Temos que ser nós, na APORMOR e outras associações como nós, de outros movimentos associativos, a dizer que o campo tem que ser ocupado”, afirma.

A passagem das crianças pela ExpoMor pretende, assim, ir além de uma simples visita a uma feira. O objetivo é proporcionar-lhes contacto direto com os animais e com as atividades agrícolas, ajudando-as a compreender a relação entre a produção pecuária, a gestão da paisagem e a preservação do território.

A iniciativa pretende ainda envolver pais e avós, numa mensagem que Joaquim Capoulas considera fundamental: aproximar as famílias da realidade rural e mostrar às novas gerações que o futuro do campo depende da existência de pessoas, de atividade económica e de condições para viver e criar os filhos no território.

A aposta na sensibilização das crianças mantém, assim, uma dimensão pedagógica que a APORMOR tem vindo a valorizar. Em 2025, a associação já destacava a participação das crianças das escolas e ATL de Montemor-o-Novo na ExpoMor, precisamente com o objetivo de dar a conhecer a realidade da pecuária extensiva e o seu contributo para a gestão do território.

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