
O Convento de Nossa Senhora da Luz, em Arronches, foi esta segunda-feira, 27 de julho, palco da iniciativa “O Porco: Tradição, Sabor e Futuro”, organizada em parceria pela Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) com a Câmara Municipal de Arronches e a Entidade Regional de Turismo do Alentejo.
O encontro, que integra as comemorações do Dia Nacional da Gastronomia, celebrado ontem, assinala o reconhecimento da gastronomia portuguesa como Bem Imaterial do Património Cultural de Portugal, distinção formalizada a 26 de julho de 2020.
Para o presidente da Câmara Municipal de Arronches, João Crespo, a realização desta iniciativa de âmbito nacional na vila representa o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelos empresários da restauração do concelho e da aposta do município na promoção da gastronomia.
“Arronches é conhecido na região, e já posso dizer no país, por ser um sítio onde se come muito bem. A nossa gastronomia é, de facto, de grande qualidade e receber hoje um evento com esta dimensão nacional é muito importante. Sentimos que há esse reconhecimento pelo trabalho que é feito”, afirmou o autarca aos jornalistas, à margem da iniciativa promovida pela Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP).
João Crespo salientou que o município tem vindo a investir na divulgação da gastronomia local, considerando que este reconhecimento também resulta dessa estratégia. “Apostamos muito na divulgação da nossa gastronomia e acho que é também um reconhecimento para o município pelo trabalho que tem desenvolvido”, sublinhou.
O autarca destacou ainda o peso da restauração na economia local, lembrando que Arronches conta com “dez a 12 restaurantes, todos eles com excelente qualidade”, sendo a gastronomia um dos principais motivos de visita ao concelho.
“A gastronomia tem uma importância muito grande para o desenvolvimento económico do concelho, porque cria riqueza, cria emprego e é também um atrativo turístico”, frisou.
Outro dos temas abordados por João Crespo foi a necessidade de preservar o porco alentejano, uma raça autóctone que corre sérios riscos de extinção. Nesse sentido, recordou o evento municipal “Saberes e Sabores do Porco Alentejano”, realizado anualmente desde 2024, como forma de promover este produto e apoiar os produtores locais.
“O objetivo é dar destaque a um produto que está em risco de extinção. Queremos incentivar os produtores de porco alentejano a aumentarem as suas produções. Sabemos que é um pequeno contributo, uma gota de água no oceano, mas queremos que não desistam”, afirmou.
Embora reconheça a existência de produção suinícola intensiva no concelho, destinada sobretudo ao mercado espanhol, o presidente da Câmara defende que o foco deve continuar na valorização da raça tradicional.
“Não queremos perder esta raça. Arronches tem essa tradição, não é por acaso que é conhecida como a terra dos porcos. Há muito trabalho pela frente, mas a Câmara Municipal estará ao lado dos seus produtores para que essa realidade não se verifique”, garantiu.
O programa de “O Porco: Tradição, Sabor e Futuro” incluiu, durante a manhã, duas mesas-redondas sobre a valorização da fileira do porco.
A coordenação gastronómica do evento está a cargo do chef Vítor Sobral, uma das figuras mais influentes da cozinha portuguesa contemporânea. Além de ter participado no debate, é o responsável pelo almoço temático servido aos participantes e pelo momento de desmancha tradicional do porco, seguido de uma degustação de petiscos, agendado para a tarde.



























































