
A Câmara Municipal de Évora apresentou, na passada segunda-feira, a proposta da 4.ª revisão do Plano de Urbanização de Évora (PUE), um documento estratégico que define a visão de desenvolvimento da cidade para as próximas décadas e que prevê a construção de mais de 7.000 novos fogos, com capacidade para acolher cerca de 15 mil novos residentes.
A sessão pública decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho e contou com a presença de equipa técnica, eleitos e uma forte participação de cidadãos, marcando o arranque de uma nova fase de discussão pública do documento, que se pretende mais participada e abrangente.
A proposta resulta de vários anos de trabalho técnico e político, envolvendo uma equipa multidisciplinar coordenada pelo professor Jorge Carvalho, com contributos de técnicos municipais e especialistas de várias instituições, incluindo as universidades de Évora e de Aveiro.
Segundo o presidente da Câmara Municipal de Évora, a proposta apresentada corresponde a uma versão política do trabalho técnico desenvolvido, integrando contributos de várias fases de participação e ajustamentos ao planeamento municipal recente.
O autarca sublinhou ainda a importância da participação dos cidadãos neste processo, defendendo que o documento deve ser enriquecido com contributos da comunidade antes da aprovação final.
A revisão do PUE prevê uma forte aposta na habitação, considerada uma das áreas mais críticas para o desenvolvimento do concelho, com a flexibilização das regras urbanísticas e a promoção de diferentes tipologias habitacionais.
De acordo com a proposta, a cidade poderá acolher cerca de 15 mil novos residentes, num contexto em que a escassez de habitação tem sido identificada como um dos principais desafios ao crescimento económico e demográfico.
O plano contempla ainda o reforço da área económica, com cerca de 90 hectares de solo urbano destinados a atividades empresariais, incluindo a expansão do Parque de Indústria e Tecnologia de Évora (PITE) e do Parque Industrial e de Atividades Económicas (PIAE), a criação de uma nova área empresarial na zona norte e uma plataforma logística a sudoeste da cidade.
Outro dos eixos estratégicos passa pela criação de um cluster da saúde com 42 hectares junto ao futuro Hospital Central do Alentejo, integrando também o polo de saúde da Universidade de Évora.
Na componente urbana e patrimonial, o documento prevê a valorização da área intramuros, a requalificação do espaço envolvente às muralhas e a proteção da paisagem histórica, através da criação de percursos de lazer e novas oportunidades ligadas ao turismo e à fruição da envolvente rural.
Ao nível da mobilidade, a proposta aposta num novo modelo urbano centrado no transporte público, na criação de corredores dedicados e na promoção de modos suaves de deslocação, integrados numa estrutura ecológica urbana.
A revisão contempla ainda a integração de novos núcleos habitacionais em solo urbano, a delimitação de novas áreas de edificação dispersa e a ampliação de zonas já existentes.
A proposta encontra-se atualmente em apreciação por entidades da Administração Pública, incluindo a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDR Alentejo), seguindo-se um período de discussão pública informal antes da fase formal prevista na lei.
O processo participativo será reforçado com iniciativas paralelas, incluindo uma exposição sobre o Plano de Urbanização de Évora, patente na Feira de São João 2026, e reuniões com agrupamentos escolares do concelho, visando alargar o envolvimento da comunidade na construção do futuro da cidade.















