
Montemor-o-Novo voltou a viajar no tempo com a inauguração da Feira Medieval, que decorre até domingo no Castelo de Montemor-o-Novo, reunindo recriações históricas, artesãos, mercadores, espetáculos e animação inspirada na vida medieval. O certame pretende valorizar o património histórico local e afirmar-se como um importante polo de atração turística para o concelho.
Na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, Carlos Pinto de Sá, destacou o simbolismo do castelo enquanto marco da história nacional e palco de acontecimentos relevantes da formação de Portugal. “É um castelo histórico que nos traz praticamente desde o início da nacionalidade, há mais de 800 anos, quase 900 anos”, afirmou o autarca, recordando que naquele espaço decorreram importantes reuniões das Cortes do Reino e debates ligados à expansão portuguesa.
Carlos Pinto de Sá sublinhou ainda a importância estratégica da fortificação ao longo da história, lembrando que o monumento sofreu danos significativos, não apenas devido ao terramoto de 1755, mas também em consequência do abandono gradual da população do interior das muralhas. “Quando a população começou a abandonar o castelo e a ir para a zona do arrabalde, começou a levar várias pedras para construir as suas casas. Temos casas do arrabalde que têm pedra do castelo, como era hábito na época”, explicou.

Durante a intervenção, o presidente do município destacou que a feira pretende recriar o ambiente medieval e proporcionar aos visitantes uma experiência educativa sobre os modos de vida da época. “É bom que as pessoas percebam que, ao longo destes mil anos, houve uma evolução muito significativa nas condições de vida”, referiu, salientando as diferenças sociais existentes entre a maioria da população e as elites detentoras do poder e da propriedade.
O autarca frisou ainda que a iniciativa permite dar a conhecer os produtos comercializados na época, as formas de trabalho, os costumes e os momentos de convívio que caracterizavam as feiras medievais.
Além da vertente histórica, Carlos Pinto de Sá destacou o valor cultural da iniciativa, associando-a às diversas influências que moldaram a identidade da região ao longo dos séculos. “Grande parte das raízes da nossa cultura estão aqui. Houve um cruzamento de vários povos que passaram por este território, desde os romanos aos visigodos, aos árabes e aos portugueses”, afirmou.
O presidente da Câmara defendeu igualmente que a valorização do património deve servir para pensar o futuro do concelho. “Queremos olhar para o passado, mas queremos também olhar para o futuro e perceber de que forma este castelo pode continuar a ajudar-nos a desenvolver Montemor-o-Novo”, declarou.
A Feira Medieval assume também uma forte componente promocional, atraindo visitantes portugueses e estrangeiros e contribuindo para a divulgação do concelho. O evento inclui mercado medieval, demonstrações de ofícios antigos, música, dança, cortejos temáticos, recriações históricas e diversas atividades destinadas a públicos de todas as idades.
No final, Carlos Pinto de Sá agradeceu o envolvimento das instituições, associações, parceiros e grupos de recriação histórica que participam na organização do certame, deixando um convite aos visitantes. “Venham até ao Castelo de Montemor-o-Novo porque vale a pena. Aqui encontram cultura, história e património”, concluiu.


















































































































































































