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Feira do Mel de Fazendas do Cortiço regista balanço positivo e alerta para dificuldades na apicultura (c/fotos)

A 19.ª edição da Feira do Mel de Fazendas do Cortiço, no concelho de Montemor-o-Novo, decorreu este domingo, 11 de outubro, com uma maior participação do público, uma caminhada que reuniu cerca de 70 pessoas e um colóquio com 53 apicultores. A iniciativa voltou a valorizar o mel da região, num contexto em que as alterações climáticas e a falta de floração colocam desafios à atividade apícola.

A Feira do Mel de Fazendas do Cortiço voltou a reunir produtores, apicultores e visitantes, numa edição que as entidades organizadoras consideram ter registado melhorias significativas em relação aos anos anteriores. A divulgação dos produtos locais, a partilha de conhecimentos e a sensibilização para a importância das abelhas estiveram entre os principais objetivos da iniciativa.

O presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, Carlos Pinto de Sá, destacou a importância do certame enquanto espaço de promoção dos produtos apícolas e de encontro entre os profissionais do setor. “A feira é uma mostra dos produtos, é também uma oportunidade para que os apicultores se juntem e possam trocar experiências, terem novos conhecimentos com especialistas”, afirmou o autarca, sublinhando a importância de dar a conhecer à população o mel produzido na região.

Carlos Pinto de Sá alertou, contudo, para os riscos que as alterações climáticas e as mudanças na paisagem alentejana representam para a produção de mel de qualidade. O presidente da Câmara salientou igualmente o papel essencial das abelhas na polinização e na manutenção dos ecossistemas. “As próprias abelhas são fundamentais não apenas para a produção do mel, mas para a própria sobrevivência da humanidade”, afirmou, defendendo que estes insetos “têm de ser salvaguardados”.

O autarca considerou ainda que a feira constitui uma oportunidade para sensibilizar a população para estas questões, além de promover os produtos locais e proporcionar momentos de convívio. Carlos Pinto de Sá destacou também a 19.ª edição do evento e manifestou a intenção de continuar a reforçar a iniciativa através da parceria entre as entidades envolvidas.

Organização destaca maior participação

Também Joana Gingão, presidente da Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Bispo, fez um balanço positivo da edição deste ano, destacando as melhorias introduzidas na organização e na dinâmica do evento. “É um balanço para já extremamente positivo. É uma aposta que está ganha, que necessita de continuar a ser melhorada”, afirmou, reconhecendo que há sempre aspetos a aperfeiçoar e mostrando disponibilidade para acolher sugestões e propostas.

A responsável destacou o aumento da participação nas atividades, considerando que a edição deste ano apresentou uma evolução significativa face aos anos anteriores. “Uma caminhada com quase 70 pessoas a um domingo às oito e meia da manhã é um orgulho”, afirmou Joana Gingão, referindo-se à adesão registada durante a manhã.

A presidente da Junta salientou ainda a participação de 53 apicultores no colóquio e a afluência de visitantes durante a tarde. “Um colóquio com 53 apicultores e uma tarde cheia de gente, que nos enche de orgulho”, sublinhou.

Para Joana Gingão, os resultados alcançados reforçam a importância de continuar a investir na feira, mantendo uma postura de abertura a novas ideias que permitam melhorar as próximas edições.

Falta de floração preocupa apicultores

As dificuldades sentidas pelos apicultores, sobretudo devido às condições meteorológicas e à escassez de alimento para as abelhas, foram também destacadas por Hermenegildo Charrua, presidente da Montemormel.

O responsável explicou que a produção de mel apresenta diferenças significativas entre regiões do país e mesmo dentro do concelho de Montemor-o-Novo, existindo zonas com resultados relativamente bons e outras com produções muito reduzidas.

Entre os fatores de preocupação está a falta de floração em várias áreas do Alentejo, que dificulta a alimentação das colónias. “Há certas zonas no Alentejo, mesmo no concelho onde eu resido, as abelhas nesta altura estão completamente secas. Não há uma única flor no campo que as abelhas se possam alimentar”, alertou Hermenegildo Charrua.

O presidente da Montemormel explicou que, noutras zonas, ainda existe alguma vegetação e floração que permite às abelhas encontrar alimento, mas advertiu que essa situação poderá não se manter por muito tempo sem precipitação. “Temos outras zonas do país onde há algum mato normal, tem alguma flor e ainda se consegue ir mantendo, mas não por muito mais tempo se não chover”, afirmou.

O responsável referiu igualmente a presença de vespas como um dos fatores que merecem atenção no setor apícola.

A 19.ª Feira do Mel de Fazendas do Cortiço voltou, assim, a afirmar-se como um espaço de promoção do mel e dos produtos apícolas, de encontro entre profissionais e de contacto com a comunidade. Para além da vertente económica e cultural, as declarações dos responsáveis evidenciaram a necessidade de proteger as abelhas e de encontrar respostas para os desafios ambientais que condicionam a produção de mel.

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