
Montemor-o-Novo recebe, entre os dias 18 e 20 de setembro, a primeira edição do Monteamor, um festival que nasce com o propósito de valorizar as diferentes culturas presentes no território e criar pontes entre as comunidades migrantes e a população local.
Com epicentro no coreto do Jardim Público, tradicionalmente associado à música, às danças e ao convívio, o festival pretende transformar este espaço num ponto de encontro intercultural, através da música, gastronomia, artesanato, dança, saberes e experiências partilhadas.
Em declarações à RNA sobre a iniciativa, Lander Patrick, da Sinistra Associação Cultural, sediada em Montemor-o-Novo, explica que o festival surgiu da vontade de dar maior visibilidade às comunidades imigrantes residentes no concelho e, simultaneamente, aproximá-las das restantes pessoas que vivem no território. “Este festival surgiu como uma missão de valorizar as culturas de migrantes residentes em Montemor-o-Novo e também de criar pontes e facilitar a comunicação entre essas pessoas e as pessoas que já estavam residentes em Montemor-o-Novo”.
Segundo Lander Patrick, existe uma tendência de desagregação das comunidades migrantes, sendo necessário criar espaços onde estas possam ser reconhecidas pelo seu contributo para a comunidade. “Era fundamental criar espaços para percebê-las como potencial, com o seu capital social, o seu capital cultural, as suas sabedorias, os seus desejos, e integrá-las no território”, sublinha.
Um festival construído com a comunidade
Uma das características distintivas do Monteamor é o facto de grande parte da programação ter sido construída a partir dos talentos e saberes das próprias pessoas que vivem em Montemor-o-Novo.
A organização contactou mais de uma centena de pessoas, através de formulários e contactos diretos, procurando identificar quem cozinha, quem faz artesanato, quem toca, dança ou possui outros conhecimentos que pudesse partilhar. “É mesmo, de alguma forma, magnetizar o talento local”, afirma Lander Patrick, explicando que o resultado é uma programação marcada pela diversidade, com gastronomia de diferentes pontos do mundo, artesanato, música e dança.
O programa contará com representantes de várias nacionalidades e com nomes como Harry Grant, artista do Bangladesh que se tornou conhecido por uma música sobre o Martim Moniz, Ricardo Ribeiro e o fadista Jonas. A programação integra igualmente artistas e projetos ligados diretamente a Montemor-o-Novo, como o grupo Fora D’Horas e o músico João Bastos, que irá protagonizar uma experiência musical com Simão, explorando a música cigana eletrónica.
Estão ainda previstas danças tradicionais do Nepal, música alemã pela DJ Nicole Siren, DJs de São Tomé e Príncipe e de Angola, workshops e apresentações de capoeira, roda de samba, fado, fado com dança e sapateado, entre outras propostas.
Para Lander Patrick, esta diversidade só faz sentido quando existe também um forte envolvimento da comunidade local. “Seria impensável fazer isso sem envolver também os talentos das pessoas que já nasceram cá, ou que são de cá há muito tempo”, afirma.
O Monteamor pretende também responder à necessidade de criar espaços de encontro numa comunidade onde, segundo a organização, ainda existem barreiras entre pessoas de diferentes origens. “Eu tenho conhecimento de pessoas que a sua vida é casa, trabalho, trabalho de casa”, refere Lander Patrick, considerando que faltam iniciativas capazes de ajudar a ultrapassar essas barreiras. “Há uma tendência crescente em criar essas barreiras para com o outro que a gente não conhece tão bem, não conhecemos tão bem a cultura, que há diferenças. Claro, mas há muita potência nessa diversidade”, defende.
A primeira edição do festival tem já gerado entusiasmo junto da comunidade e pretende afirmar-se como um momento de abertura e descoberta. “Quero convidar todos e todas de Montemor para virem a este festival”, apela Lander Patrick, descrevendo o Monteamor como “uma lufada de ar fresco” que permitirá abrir as portas à diversidade cultural e perceber que as diferentes culturas presentes no território podem contribuir para enriquecer a identidade coletiva. “Não para substituir o que é considerado português, mas para enriquecer o que é Portugal”, conclui.
Ao longo de três dias, o Monteamor propõe, assim, um encontro entre culturas, gerações, saberes e pessoas, colocando Montemor-o-Novo no centro de uma celebração da diversidade e da comunidade.














