
Os Bombeiros Voluntários de Montemor-o-Novo assinalaram este ano 96 anos de existência. Fundada em 1930, a instituição mantém, quase um século depois, a missão de servir e proteger a população, num percurso marcado pela evolução dos meios, dos equipamentos e da formação, mas também por desafios que continuam a exigir atenção, sobretudo ao nível dos recursos humanos.
O comandante Hugo Ventura, que mantém uma ligação à corporação desde a adolescência, considera um orgulho representar uma instituição com esta história e destaca o esforço desenvolvido ao longo dos anos para melhorar a capacidade de resposta às situações de socorro e emergência. “É um orgulho muito grande poder representar esta instituição que já conta com 96 anos”, afirma, sublinhando a evolução registada ao nível dos equipamentos, dos veículos, da formação e do número de efetivos. Apesar dos progressos, reconhece que o número de bombeiros continua a ser insuficiente, embora tenha sido possível aumentar o efetivo.
Na história da corporação, Hugo Ventura identifica dois momentos particularmente importantes: a construção do atual quartel, em 1954, e as obras de ampliação realizadas em 2012. A instituição assinalou também os 50, os 75 e os 95 anos, preparando agora o caminho para o centenário, em 2030. “Aí teremos mesmo que fazer jus àquilo que são os 100 anos desta instituição e há de ser festejado ao longo de todo o ano”, adianta o comandante, ressalvando que, até lá, “ainda temos muito trabalho pela frente”.
A ligação de Hugo Ventura aos bombeiros é, contudo, muito anterior ao exercício das funções de comando. Cresceu nas instalações da corporação, numa ligação familiar que passou pelo pai e pelo irmão. Em 1998, com apenas 14 anos, iniciou o seu percurso como bombeiro, contando atualmente com 28 anos de ligação à instituição. “Foi uma ligação familiar. Foi do meu pai, do meu irmão, sou eu. Depois são as amizades que aqui criamos. Basicamente é uma segunda família. É a nossa segunda casa”, recorda.
Uma ligação que, garante, nunca deixou de ser uma motivação. “Faço parte dos bombeiros e os bombeiros fazem parte de mim”, resume.
Melhorias nos equipamentos, mas falta um veículo de combate a incêndios urbanos
Ao nível dos meios, a corporação tem registado melhorias nos equipamentos de proteção individual e nos veículos de socorro, resultado do trabalho desenvolvido pela direção, pelo comando e pelo corpo ativo.
Ainda assim, existe uma necessidade por concretizar: a aquisição de um veículo de combate a incêndios urbanos. Hugo Ventura revela que estão a ser desenvolvidos esforços para conseguir concretizar este investimento, contando com vários apoios.
Mas é nos recursos humanos que reside uma das maiores preocupações. O comandante alerta para a necessidade de aumentar o número de bombeiros, numa altura em que as ocorrências aumentam de ano para ano e a exigência de resposta é cada vez maior. “Infelizmente, nos últimos quatro anos só tivemos 17 entradas. Parece que é muito, mas é relativamente pouco para aquilo que é a nossa realidade de emergências”, refere.
Para inverter esta situação, considera fundamental criar melhores condições e incentivos ao voluntariado. Nesse sentido, adianta que o Município está disponível para colaborar com a corporação no reforço dos incentivos destinados aos voluntários.
42 funcionários garantem o funcionamento da corporação
Na celebração dos 96 anos, Hugo Ventura fez questão de centrar o seu discurso nas pessoas, considerando que são estas que dão identidade às instituições e determinam a forma como estas são reconhecidas pela comunidade.
Atualmente, os Bombeiros Voluntários de Montemor-o-Novo contam com 42 funcionários, incluindo sete trabalhadores civis. O comandante salienta, contudo, que todos dão também o seu contributo em regime de voluntariado, uma realidade que considera essencial para assegurar o socorro durante as 24 horas do dia. “Eu acredito muito que quem faz as instituições são as pessoas e a cara das instituições é de acordo com o que as pessoas o fazem ser”, afirma.
O responsável deixa um agradecimento especial aos bombeiros, pelo trabalho diário, mas também aos elementos da direção, que, segundo refere, desempenham funções por dedicação à instituição e enfrentam uma gestão cada vez mais exigente. “Todos eles estão aqui por amor à camisola”, destaca, lembrando que a gestão de uma associação com orçamentos elevados, muitas despesas e dificuldades financeiras exige um trabalho minucioso e permanente.
Apelo aos jovens para integrarem os bombeiros
Perante a necessidade de reforçar o corpo de bombeiros, Hugo Ventura deixa um apelo aos jovens e a todos os interessados em conhecer a atividade.
O primeiro passo passa por uma deslocação ao quartel, onde podem obter informações, visitar as instalações, conhecer os veículos e os equipamentos e preencher uma ficha de inscrição. No final de cada ano civil, a corporação realiza uma reunião com os interessados, na qual apresenta o plano de recrutamento e formação previsto para o ano seguinte. “Venham ter connosco. Venham conhecer aquilo que são os bombeiros. Pode ser que fiquem com este gosto e nós estamos cá de braços abertos para os receber”, desafia.
A terminar, o comandante deixa uma mensagem de confiança à população de Montemor-o-Novo, garantindo que a corporação continuará disponível para responder às necessidades da comunidade: “Podem contar sempre connosco para o que der e vier”.















