
O Município de Vendas Novas e a Associação Lar Doce Ler lançaram o “Passagens”, um novo festival cultural que pretende dinamizar a oferta artística do concelho, valorizar os talentos locais e reforçar o sentimento de identidade e pertença da população. A iniciativa vai desenvolver-se ao longo de nove etapas, entre outubro de 2026 e o início de julho de 2027, com propostas ligadas à história, à memória, à cultura e às diferentes expressões artísticas.
Na apresentação pública do festival, Ricardo Videira, presidente da Câmara Municipal de Vendas Novas, explicou que o projeto resulta da vontade de imprimir uma dinâmica cultural mais intensa ao concelho, associando-a à valorização da identidade local e à aproximação entre as pessoas. “Cruzámos a nossa história, e Vendas Novas é uma terra de passagem e nós acreditamos que temos que ter orgulho e devemos ter orgulho nisso, com a nossa vontade de projetar os nossos artistas locais, de mostrar novas formas de cultura também e de trazer a Vendas Novas alguns artistas que até agora não tiveram palco na nossa terra”, afirmou o autarca.
O festival pretende, assim, criar oportunidades para os artistas locais apresentarem os seus trabalhos e, simultaneamente, proporcionar ao público o contacto com novas propostas culturais. A programação vai abranger diferentes faixas etárias e áreas artísticas, da música à literatura, passando pela gastronomia.
Ricardo Videira considera que existe vontade, tanto por parte dos criadores como da população, de participar em iniciativas culturais diversificadas. A adesão registada na sessão de apresentação leva a organização a esperar uma mobilização significativa em torno do projeto. “Sentimos que as pessoas em Vendas Novas também estão ávidas de ter manifestações culturais diferentes. Os nossos artistas também estão ávidos de ter espaços e momentos em que possam expor os seus trabalhos”, sublinhou.
O presidente da Câmara Municipal adiantou que o objetivo é distribuir a programação por nove etapas, com uma passagem em cada mês. Depois da apresentação inicial, em outubro, estão previstas novas iniciativas nos meses seguintes, até maio, seguindo-se um epílogo em junho, com três dias de programação diversificada.

A intenção é que o “Passagens” não se esgote nesta primeira edição, mas adquira uma presença regular na agenda cultural do concelho. “O objetivo é que seja um festival previsível, que tenha uma cadência, portanto, que todos estejam à espera que no último fim de semana do mês vai acontecer um evento associado ao Passagens”, explicou Ricardo Videira, manifestando a expectativa de que, em 2027, seja anunciada uma nova edição para 2027-2028.
Mais do que uma iniciativa promovida pelo município, o autarca defende que o festival deve ser assumido pela própria comunidade. “Aquilo que queremos é que as pessoas sintam que o festival não é algo que é promovido pelo município para elas, mas sim que é algo que é delas próprias, portanto, que é das pessoas, que é de Vendas Novas e que é de todas as pessoas que gostam de Vendas Novas”, afirmou.
Sob o mote “Quem passa fica”, o “Passagens” procura valorizar todos aqueles que contribuem para a identidade da cidade, independentemente de terem nascido ou residirem no concelho. “Ser de Vendas Novas não significa só aqueles que aqui nasceram, só aqueles que aqui vivem, só aqueles que aqui trabalham”, referiu o presidente, acrescentando que também quem passa ou para na cidade faz parte da sua história.
Uma viagem pela história, cultura e talento da cidade
David Lopes, da Associação Lar Doce Ler, destacou a importância do envolvimento da população na concretização do festival, defendendo que o projeto deve ser construído em conjunto com a comunidade. “Podemos contar com os vendasnovenses e todos aqueles que ouvirem falar do que vamos fazer durante nove meses se possam entusiasmar e juntarem-se e construírem juntos o festival”, afirmou.

De acordo com David Lopes, cada etapa será uma oportunidade para descobrir diferentes dimensões de Vendas Novas, desde a história e a memória do território até às manifestações culturais que marcam o quotidiano da população. “Todos os meses vamos ter uma proposta ligada à identidade, à cultura, à história, à memória, ao talento do que representa a história e a população desta cidade”, explicou.
O responsável salientou que o programa não se limitará a revisitar o passado, procurando também retratar a vida atual da cidade e projetar o seu futuro. A gastronomia, o artesanato e a música são algumas das áreas que irão integrar esta abordagem, num percurso que pretende dar visibilidade às pessoas, às tradições e às diferentes formas de expressão cultural.
Para David Lopes, a condição de Vendas Novas como lugar de passagem deve ser encarada como uma oportunidade de afirmação e não como uma limitação. “É mostrar uma cidade que assume que sempre foi entendida como um local de passagem, mas que isso não é uma fatalidade nem uma má notícia. É uma extraordinária notícia porque nós acreditamos que quem passa fica”, declarou.
A ideia do festival surgiu por iniciativa do atual executivo municipal, com o propósito de reforçar a oferta cultural e valorizar a história de Vendas Novas, que conta com 500 anos de existência. Segundo David Lopes, a intenção é que as diferentes dimensões da cidade sejam vividas e interpretadas ao longo da programação. “Ela nasce, de facto, de uma vontade de que a cultura seja um pilar do dinamismo que Vendas Novas está a afirmar cada vez mais”, concluiu.
Com o Passagens, o município e a Associação Lar Doce Ler pretendem criar novas oportunidades de participação cultural, aproximar artistas e público e reforçar a ligação da comunidade à história e à identidade de Vendas Novas.























































