
O escritor canadiano Alberto Manguel vai estar no Jardim Público de Évora, no próximo dia 29 de agosto, às 18h00, para apresentar a conferência “A palavra devagar”, integrada na programação da Academia do Vagar, iniciativa de Évora_27 – Capital Europeia da Cultura.
O encontro realiza-se ao ar livre, no Parque de Merendas do Jardim Público de Évora, e tem entrada gratuita.
A conferência parte da relação entre a palavra, o silêncio e o tempo, propondo uma reflexão sobre diferentes formas de viver, pensar e comunicar. Alberto Manguel recupera o significado de “devagar” para os romanos, associado ao conceito de otium, entendido não como preguiça, mas como um estado deliberado de reflexão e pensamento contemplativo, em oposição ao negotium, ligado aos afazeres e à vida apressada.
A reflexão passa também pela relação entre palavra e silêncio, evocando as figuras bíblicas de Marta e Maria e diferentes formas de estar perante o mundo. O escritor aborda ainda o silêncio enquanto expressão de resistência, recusa ou oposição, convocando referências como Wittgenstein e personagens da literatura universal.
A literatura ocupa igualmente um lugar central nesta reflexão, enquanto espaço onde as palavras podem revelar diferentes formas de silêncio, desde o silêncio da vitimização ao da resistência e do desprezo.
A Academia do Vagar é uma iniciativa de Évora_27 que pretende promover o pensamento crítico e a criação coletiva, colocando o conceito de “Vagar” no centro de uma reflexão sobre o tempo, a cultura, a existência humana e a relação com o mundo.
Ao longo dos 27 meses de programação de Évora_27, até dezembro de 2027, a Academia do Vagar apresenta conferências, encontros, conversas e workshops, todos de entrada gratuita, reunindo filósofos, sociólogos, antropólogos, artistas e outros pensadores.
Alberto Manguel
Nascido em Buenos Aires, em 1948, Alberto Manguel é escritor, ensaísta e investigador canadiano. É autor de obras de ficção e não-ficção, entre as quais Uma História da Leitura, A Biblioteca de Noite, Com Borges e O Dicionário de Lugares Imaginários, este último escrito em colaboração com Gianni Guadalupi.
Ao longo da sua carreira recebeu diversos prémios e distinções internacionais, incluindo o Prémio Formentor, o Prémio Alfonso Reyes e o Prémio Gutenberg. Foi também diretor da Biblioteca Nacional da Argentina e é atualmente diretor do Espaço Atlântida, Centro de Estudos da História da Leitura, em Lisboa.















