
O presidente da direção da APORMOR, Joaquim Capoulas, fez uma retrospetiva da evolução da Política Agrícola Comum (PAC), defendendo uma reflexão sobre o rumo que a política europeia tem seguido nas últimas décadas e os impactos que tem tido no setor agrícola.
Durante a sua intervenção, o dirigente recordou que a PAC nasceu no pós-Segunda Guerra Mundial com o objetivo de garantir a produção de alimentos para a população europeia, numa altura em que a escassez alimentar era uma preocupação central. “A Política Agrícola Comum surgiu no pós-Segunda Guerra Mundial para garantir alimentos à população europeia, assegurando a produção em quantidade suficiente e ao mais baixo custo possível”, afirmou.
Joaquim Capoulas lembrou que, até 1992, os apoios comunitários estavam diretamente ligados à produção agrícola e pecuária. Segundo explicou, com a entrada de Portugal na então Comunidade Económica Europeia, em 1986, os agricultores recebiam incentivos associados àquilo que produziam, nomeadamente nos setores dos ovinos e dos bovinos.
O presidente da APORMOR salientou que a reforma da PAC de 1992 representou uma mudança profunda de paradigma, ao passar a privilegiar o controlo da produção, justificando essa alteração com a existência de excedentes agrícolas na Europa. “Em 1992, a Política Agrícola Comum sofreu uma reforma que alterou completamente essa lógica. Passou a defender-se que existiam excedentes de produção na Europa e que era necessário controlá-los. Paralelamente, começou a ganhar força a influência dos setores mais fundamentalistas da área ambiental, que entendiam que a ação dos agricultores sobre a terra era prejudicial para a natureza”, referiu.
Na perspetiva do responsável, esta mudança marcou o início de uma nova fase da política agrícola europeia, cujos efeitos continuam a fazer-se sentir no setor.
Tudo para saber sobre este tema, com Joaquim Capoulas, na rubrica “Espaço Apormor”, que pode ouvir na emissão às 12:45 e às 16:30 horas ou no podcast abaixo:















