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Instituto Politécnico de Portalegre cresce 15% na criação de empregomas avisa que subfinanciamento nacional ameaça competitividade

O Instituto Politécnico de Portalegre (IPP) registou um crescimento assinalável no último ano letivo, consolidando a sua atratividade e capacidade de investigação.

Em declarações à RNA, o presidente do instituto, Luís Loures, fez um balanço altamente positivo do desempenho do IPP, mas deixou um forte alerta ao Governo sobre o claro desfavorecimento financeiro que o ensino superior enfrenta em Portugal face à média internacional.

Do ponto de vista geral, o IPP atravessa um ciclo de forte afirmação regional, nacional e internacional. Segundo Luís Loures, a instituição não se limitou a aumentar o número de estudantes nas suas escolas. Aumentámos não só o número de alunos, mas também aquela que é a nossa influência, o número de projetos, o financiamento. Ampliámos muito a nossa atratividade e capacidade de investigação, com a contratação de docentes de carreira e investigadores de carreira, congratula-se o presidente do Politécnico.

Este reforço de quadros tem tido um impacto direto no tecido socioeconómico local, fixando recursos humanos diferenciados: Estamos a falar de pessoas altamente qualificadas, a maior parte delas que vêm de fora da região, outros que, sendo daqui, acabam por conseguir regressar porque têm, nesta questão deste emprego mais qualificado, uma possibilidade de ter aqui as suas famílias com melhor qualidade de vida. De resto, os dados estatísticos da instituição traduzem essa dinâmica. Crescemos em cerca de 15% ao nível daquilo que é a criação de emprego e isso é um número que é assinalável, destaca.

O aviso ao Governo: “Não se fazem omeletes sem ovos”

Apesar do “ano preenchido e de grandes conquistas”, o líder do Politécnico de Portalegre aponta o subfinanciamento crónico do setor como o principal obstáculo à competitividade das academias portuguesas. Aludindo a dados recentes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, o responsável lembra que o fosso face ao exterior continua a alargar-se.

“Temos batalhado muito no financiamento do ensino superior, que em Portugal continua altamente subfinanciado. Ainda há pouco tempo saiu um relatório novo da OCDE e nós estamos cada vez mais distantes da média, avisa. Luís Loures concretiza o cenário com dados comparativos: Estamos a falar de uma diferença entre aquilo que é o financiamento público das instituições de ensino superior em Portugal e a média da OCDE de cerca de 48%”.

Para o presidente do IPP, esta assimetria financeira prejudica o país no xadrez global da captação de talento. “Obviamente que é muito difícil fazer omeletes sem ovos e continuarmos a ser competitivos num cenário de claro desfavorecimento face aos nossos competidores diretos, que não estão em Portugal, como é óbvio, e estão no mundo, reitera, deixando um apelo direto à tutela: É muito importante que o Governo rapidamente seja capaz de reverter esta situação. Tem que começar por algum lado. Nós sabemos que Roma e Pavia não se fizeram num dia, mas é preciso começar a inverter este cenário de subfinanciamento”.

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