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Orçamento municipal de Montemor-o-Novo ronda os 34 milhões de euros

As Grandes Opções do Plano e Orçamento Municipal para 2026 foram aprovados, por maioria, na câmara Municipal de Montemor-o-Novo, com os votos a favor dos três eleitos da CDU e dos dois do PS e a abstenção dos dois vereadores da coligação CDS-PP/PSD.

Carlos Pinto de Sá, presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, em declarações à RNA, referiu que “o Orçamento Municipal procura, de alguma maneira, responder a este novo ciclo político e naturalmente corresponde também a uma nova estratégia política e gostaria de salientar, antes de falar em números, que propusemos que o tema central da atividade do município em 2026 fosse a comemoração e, eu diria mais, um programa relativo aos 50 anos da Constituição da República Portuguesa. É o nosso documento fundador da democracia portuguesa, que resultou da Revolução de 25 de abril de 1974. É uma das constituições, do ponto de vista dos direitos dos cidadãos, dos direitos económicos, sociais, políticos, culturais, das mais avançadas do mundo. Deu um contributo muito importante para a melhoria das condições de vida nas primeiras décadas do 25 de abril e, portanto, queremos, de alguma maneira, fazer uma abordagem a essa lei fundamental do país, sobretudo na perspetiva dos direitos dos cidadãos e também do impacto que, digamos esse texto, teve no concelho de Montemor-o-Novo”.

“Nós vamos ter um orçamento municipal que andará na ordem dos 34 milhões de euros, ainda que haja aqui uma especificidade que tive a oportunidade de apontar na reunião de câmara e na assembleia municipal, uma vez que de 2025 transitam cerca de 6 milhões de euros de compromissos e um saldo de gerência na ordem dos 5 milhões. E, portanto, para não ficarmos com o orçamento inflacionado, introduzimos esses valores neste orçamento e só serão introduzidos em abril, quando for feita a inclusão do saldo de gerência no orçamento. O que significa que há rubricas do orçamento que foi aprovado que ainda não estão completas e que só serão completadas com valores crescidos em abril e essa é uma das questões que se passa, em particular, com a área do investimentos”, acrescentou.

“As opções do plano em primeiro lugar apontam uma estratégia de desenvolvimento do município, que aliás já tinha falado e que consta do nosso programa, foi o compromisso que nós tomamos, e que assenta em cinco pontos. O primeiro ponto tem a ver com a importância de fomentar uma economia diversificada e sustentável. Sem economia, sem postos de trabalho, sem investimento, não conseguimos fixar as pessoas. Portanto, é uma prioridade muito significativa do Conselho à área económica, a importância de ter investimento, de criar novo emprego. O segundo eixo tem a ver com a área social, a solidariedade, a igualdade e justiça social. Nós temos um país muito desigual, somos dos países onde a desigualdade social é maior na Europa. Temos uma percentagem de pobres que tocam os 20% da população em termos do país e no caso do Alentejo, porque temos pessoas também mais envelhecidas, esta percentagem sobe de uma forma significativa. Posso dizer-lhe que um terço da população, que são reformados para esses idosos, que têm rendimentos pouco superiores a 350 euros em média por mês, o que significa que temos muitas famílias, muitos cidadãos a viver com muitas dificuldades. E, portanto, há a necessidade de reforçar aqui, com as limitadas competências que o município tem, reforçar o apoio social às populações”, reforçou.

O terceiro eixo tem a ver com a área do ambiente, com a paisagem alentejana, a preservação da paisagem e a garantia da sustentabilidade. O Alentejo é uma das regiões melhor preservadas da Europa e este é um grande potencial para o desenvolvimento do Alentejo e de Montemor e, portanto, não podemos liquidar aquilo que temos de bom. Não podemos liquidar o nosso montado, temos que salvaguardar a paisagem alentejana e, portanto, temos que ter algum cuidado com culturas que podem pôr em causa esta situação ou uma moda que está agora no Alentejo, que consideramos errada, que é das mega centrais fotovoltaicas que alteram de forma significativa a paisagem. Nós não somos contra energias renováveis, pelo contrário, temos até investimentos neste orçamento para as energias renováveis, mas naturalmente temos que fazer as coisas com equilíbrio, de forma a não alterar a nossa paisagem alentejana. O quarto eixo desta estratégia de desenvolvimento é, obviamente, a questão cultural. Montemor é uma referência em termos culturais, tem que voltar a afirmar-se como uma referência em termos culturais e com visibilidade a nível nacional e internacional. Temos que aproveitar a capital europeia da cultura em 2027, mas queremos sobretudo densificar o tecido cultural de Montemor, apoiar as nossas associações, os nossos criadores, motivá-los para cooperarem uns com os outros e, ao fim e ao cabo, garantirmos que esse eixo fundamental do desenvolvimento de Montemor, pelo qual, aliás, Montemor já é reconhecido, possa ser reforçado. E, finalmente, o último eixo que tem a ver com o incremento, a sensibilização para a participação das pessoas, participação popular, para as questões de proximidade, dos eleitos com os trabalhadores do município, com as populações, com as instituições”, rematou.

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