Skip to content

Montemor: The Traveling Light desafia jovens alentejanos a descobrir o montado através da arte e da geopoética

A Associação Ponto d’Orvalho, organização cultural sem fins lucrativos fundada e sediada em Montemor-o-Novo, abriu candidaturas para o The Traveling Light, um projeto geopoético integrado na programação da Évora_27 – Capital Europeia da Cultura, que pretende desafiar jovens do Alentejo a descobrir o território através da arte, da caminhada e da criação coletiva. A associação dedica-se à promoção da arte, da cultura e da educação ambiental, cruzando arte, ecologia e comensalidade nos seus projetos.

As candidaturas decorrem até 30 de julho e destinam-se a jovens entre os 15 e os 20 anos, residentes ou naturais do Alentejo. Serão selecionados 15 participantes para integrarem um percurso artístico que se prolongará durante quase um ano e cuja participação é totalmente gratuita, incluindo deslocações, alojamento e refeições previstas no programa.

Em declarações à RNA, a diretora artística do Festival Ponto d’Orvalho, Joana Krämer Horta, explica que o objetivo passa por proporcionar uma experiência transformadora em contacto direto com o montado alentejano. “É um projeto que convida a uma descoberta criativa da paisagem do montado alentejano. Vamos selecionar 15 participantes que vão integrar um percurso imersivo. Vamos fazer caminhadas, acampar na natureza, realizar quatro laboratórios artísticos e dois workshops, mergulhando em práticas como a escrita criativa, a fotografia, o som, o diálogo entre o grupo e a criação artística com a paisagem”.

O projeto é desenvolvido em parceria com o escritor e geopoeta italiano Davide S. Sapienza, que acompanhará o grupo ao longo da iniciativa juntamente com a equipa da Associação Ponto d’Orvalho e da Évora_27.

Segundo Joana Krämer Horta, a geopoética permite criar uma relação diferente entre a arte e o território. “O David traz esta prática geopoética, que faz um cruzamento entre a geologia, a observação da paisagem e a poesia, dando também um lado artístico à observação da paisagem”.

Inspirado pelo conceito “Vagar”, tema central da Évora_27, o projeto propõe uma desaceleração do ritmo habitual para viver o tempo próprio do montado. “A ideia é propor uma imersão no tempo próprio do montado, observarmos, caminhar, escutar, conversar e criar”.

Depois da expedição inicial, os jovens participarão em quatro laboratórios artísticos e diversos momentos de criação ao longo dos meses seguintes, culminando com a apresentação pública dos trabalhos no Festival Ponto d’Orvalho, em maio de 2027, e numa conferência de encerramento em Évora.

Mais do que ensinar técnicas artísticas, o projeto pretende estimular uma nova forma de olhar para a paisagem e para o território. “A ideia é os jovens explorarem como a paisagem pode moldar identidades, memórias e imaginários coletivos. Cada participante desenvolverá um trabalho artístico e queremos abrir caminho para explorar a paisagem com outros olhos, com outra visão, dando ferramentas criativas para observarmos e termos uma perceção diferente daquilo que nos rodeia”.

A diretora artística faz ainda questão de sublinhar que o projeto está aberto a qualquer jovem interessado, independentemente da sua experiência. “Não é necessária experiência prévia em artes. O importante é haver curiosidade, disponibilidade para participar nestas atividades e vontade de ver a paisagem com outros olhos”.

Toda a informação sobre o projeto e o formulário de candidatura encontram-se disponíveis no website da Associação Ponto d’Orvalho.

Ao reforçar a ligação entre arte, natureza e comunidade, a Associação Ponto d’Orvalho continua a afirmar-se como uma das estruturas culturais mais inovadoras do Alentejo, promovendo projetos que convidam à reflexão sobre a paisagem e à criação de novas formas de habitar e compreender.

Compartilhe este artigo: