Leilão de Alter Real: Um Símbolo Nacional que conquista o Mundo sob o signo da modernidade

As bancadas repletas e o som constante das licitações, tanto presenciais como digitais, marcaram esta sexta-feira, 24 de abril, o Leilão Anual da Coudelaria de Alter. O evento, que é já um marco histórico no calendário equestre, confirmou a vitalidade do Cavalo Lusitano e a sua crescente projeção internacional, atraindo investidores de todo o globo para o coração do Alentejo, a partir de Alter do Chão.

O rigor da seleção deste ano ficou espelhado na lista oficial de exemplares, onde a linhagem e a morfologia ditaram preços base ambiciosos. Na categoria de fêmeas, a lista de éguas incluiu exemplares como “Salina e Silarca, ambas com o preço base mais elevado do lote feminino, fixado em 17.500 euros, seguidas pela Sijuca a 15 mil e a Requintada a 12.500 euros. O catálogo apresentou ainda opções entre os nove e os cinco mil euros.

Já no lote dos cavalos, a competitividade foi ainda mais notória, com destaque para o histórico e a funcionalidade de cada animal. A lista de machos apresentou “o Gniqui como o exemplar com o valor base mais alto, arrancando nos 20 mil euros, acompanhado de perto pelo Solar e Salinero, ambos com base de 17.500 euros. O catálogo incluiu também o Sabido (15 mil), Soberbo e Sábio (ambos a 12.500 euros) entre os mais bem cotados, a fechar o lote de machos, estiveram dois exemplares de Puro-Sangue Árabe Ritual e o Safado, ambos com uma base de licitação de 7 mil euros.

Um Compromisso do Governo com a Excelência

João Moura

Presente no evento, o Secretário de Estado da Agricultura e Pescas, João Moura, sublinhou a importância estratégica da Coudelaria de Alter enquanto guardiã de um património vivo.

Para o governante, o sucesso do leilão é o reflexo de um trabalho intenso e de uma aposta clara do Executivo na raça Lusitana. “O cavalo Lusitano está a viver bons momentos fruto do trabalho realizado nesta Coudelaria Nacional, a mais antiga do mundo a funcionar no mesmo espaço”, afirmou João Moura.

O Secretário de Estado destacou a “versatilidade, docilidade e completude” da raça, lembrando que a genética de Alter está na génese de outras raças mundiais, como o Mangalarga Marchador no Brasil. “É um dos grandes símbolos nacionais. Este leilão é um dos expoentes máximos para levar ao mundo o que de melhor Portugal produz”, reforçou.

Internacionalização: 90% dos Licitadores são Estrangeiros

Para Francisco Beja, diretor da Coudelaria de Alter, este “dia aberto” é o culminar de um ano de rigorosa seleção. O responsável destacou a forte componente internacional que hoje define o evento: cerca de 90% dos licitadores inscritos são estrangeiros, vindos de mercados como os EUA, Brasil e Norte da Europa.

Francisco Beja

A digitalização tem sido a grande aliada, permitindo que a tradição de Alter chegue a qualquer parte do mundo em tempo real. “É o dia aberto, é o dia em que recebemos as pessoas, os players do mundo do cavalo. Recebemos os locais, recebemos os internacionais cada vez mais, portanto há muito público estrangeiro a vir ver o nosso leilão e a conhecer os nossos produtos. Os compradores são maioritariamente internacionais, ou seja, 90% dos licitadores inscritos são internacionais.”

Quanto ao impacto que este dia tem para além dos portões da Coudelaria, o diretor foi claro: “Ajuda em prol deste núcleo do norte alentejano, através da restauração, da hotelaria, enfim, porque adjacente às festas da vila, que também são muito importantes, a Feira de São Marcos, consegue-se criar aqui uma dinâmica na região superior e que ajuda na economia local, naturalmente.”

Francisco Beja concluiu lembrando que quem compra um cavalo em Alter está a levar parte da história: “A Coudelaria de Alter tem por missão a preservação do património genético, a preservação do património cultural que está adjacente a estas magníficas instalações e, ao fim e ao cabo, mais dois séculos de história e de seleção. É um produto de excelência do mundo rural.”

Impacto na Economia Local e Turismo

Para além da vertente genética e desportiva — onde o Lusitano ocupa já o 6.º lugar no ranking mundial de Dressage — o leilão é um motor económico para a região do Norte Alentejano. O evento gera uma dinâmica crucial na hotelaria e restauração, trabalhando em simbiose com as festas locais e a Feira de São Marcos.

A Coudelaria de Alter, fundada em 1748, reafirma assim a sua missão de preservação do património genético e cultural, provando que, após dois séculos de história, o cavalo de Alter continua a ser um produto de qualidade superior e um embaixador inigualável do mundo rural português.

Centro de Talentos Alice Nabeiro no Congresso Nacional “Cientistas em Ação”

No decorrer do Congresso Nacional Cientistas em Ação 2026, nos dias 16 e 17 de abril, foram apresentados seis projetos de investigação realizados por alunos do Centro de Talentos Alice Nabeiro (CTAN). Três deles estiveram a cargo de alunos do 1º ciclo e outros três pelos alunos do 2º ciclo, que escolheram o Clube Ciência Viva do CTAN – Clube CLIC para potenciar os seus talentos e vocações.

As apresentações decorreram no Centro de Ciência Viva de Estremoz, com a participação de dezenas de escolas de vários pontos do pais. No escalão Galopim de Carvalho, destinado ao1º ciclo, o CTAN apresentou os seguintes projetos: “Guardiões da Geração ECO”, “Escorcioneira- um segredo dos nossos antepassados!” e “LUFFA – A esponja dos nossos antepassados”

Os projetos defendidos pelos nossos alunos foram apresentados de forma exemplar, sendo selecionado o projeto “Guardiões da Geração Eco” em segundo lugar. No escalão Mariano Gago, correspondente ao 2.º ciclo, os projetos a concurso foram: “O Funcho, uma planta endémica com múltiplos benefícios”, “ROBOT´MAYOR” e “Cubo mágico”.

Após a apresentação e defesa dos projetos pelos alunos, de forma exemplar, foram selecionados os projetos “ROBOT´MAYOR” e “O Funcho, uma planta endémica com múltiplos benefícios” em terceiro lugar e menção honrosa, respetivamente.

O Centro de Talentos Alice Nabeiro agradece aos seus parceiros pelo apoio disponibilizado ao longo da implementação das ações dos diversos parceiros, assumindo o compromisso de continuar a sua implementação e ampliação.

Os projetos estão disponíveis para serem apreciados no hall de entrada do CTAN e serão ainda apresentados à comunidade, no âmbito da Semana da Ciência e Ambiente do Centro de Talentos Alice Nabeiro.

Seguro de proteção ao crédito: Uma “almofada” financeira que exige cautela, avisa a DECO

O seguro de proteção ao crédito surge como uma garantia facultativa, mas recomendável, para acautelar situações de quebra de rendimentos por doença, desemprego involuntário ou morte. Funciona como uma segurança adicional para assegurar o pagamento das prestações bancárias em contextos difíceis, cobrindo riscos como incapacidade para o trabalho ou internamento hospitalar. No entanto, a DECO alerta que o rol de restrições e exclusões nas apólices é frequentemente extenso, tornando essencial que o consumidor analise detalhadamente os períodos de carência, prazos de indemnização e condições de denúncia antes de avançar com a contratação.

Paralelamente, a análise da taxa de esforço revela-se crucial para evitar o endividamento excessivo, relacionando os encargos financeiros totais com o rendimento mensal do agregado. Segundo a fórmula de cálculo recomendada, este valor deve situar-se, idealmente, abaixo dos 35%. Caso a taxa de esforço ultrapasse este patamar, as famílias devem considerar o valor como um sinal de alerta e procurar renegociar os seus créditos de imediato, podendo recorrer ao apoio especializado da DECO Alentejo ou ao Gabinete de Apoio ao Consumidor

Tudo para saber sobre o assunto na edição desta semana da rubrica da DECO, com Helena Guerra, do Gabinete de Inovação e Projetos da Associação para a Defesa do Consumidor. Para ouvir no podcast abaixo:

“Ovibeja é um local onde todos se sentem bem”, destaca Rui Garrido

A Ovibeja regressa para a sua 42.ª edição reforçando o seu papel enquanto palco de reflexão sobre o setor agrícola e a realidade do interior do país. Em entrevista, Rui Garrido, presidente da ACOS – Associação de Agricultores do Sul e da comissão organizadora, sublinha que “faz parte da génese da Ovibeja, do seu ADN, a sua postura reivindicativa e de colocação em cima da mesa das grandes preocupações acerca do setor e também da região”.

Entre os temas em destaque estão a nova Política Agrícola Comum, o acordo Mercosul e a Estratégia Água que Une, que voltarão a estar em debate durante o certame. “Vamos apresenta-lhes as nossas principais preocupações”, refere o responsável, confirmando convites dirigidos ao Governo e partidos políticos. A edição deste ano contará ainda com forte mediatização, incluindo a realização de uma reunião do Conselho de Ministros e a presença de vários membros do executivo.

Sob o tema “Vinho à Prova”, a feira aposta na valorização de um setor em dificuldades. “Desde logo, provar vinhos. Mas é muito mais do que isso”, explica Rui Garrido, acrescentando que o objetivo passa também por promover a reflexão sobre mercados, enoturismo e gastronomia. O certame contará com provas comentadas, showcookings e um pavilhão inteiramente dedicado ao vinho e ao azeite, reforçando a componente agroalimentar.

A inovação e a tecnologia também marcam presença, com destaque para soluções ligadas à inteligência artificial e à investigação. A região convidada será as Terras de Trás-os-Montes, numa aproximação entre territórios do interior com desafios semelhantes.

Apesar das incertezas que marcam o setor, nomeadamente o aumento dos custos de produção, Rui Garrido deixa um alerta: “Trata-se de uma situação muito extraordinária, que terá que ter apoios extraordinários em tempo oportuno”. O responsável aponta ainda a necessidade de acelerar medidas estruturais na área da água, defendendo que “este transvase é para nós fundamental”.

Do ponto de vista financeiro, a organização mantém o desafio de garantir o equilíbrio das contas. “Se alguém pensar que nós organizamos a feira para ganhar dinheiro, está muito enganado”, afirma, sublinhando que o objetivo é assegurar a sustentabilidade do evento e a sua continuidade.

Mais do que uma feira agrícola, a Ovibeja assume-se como um ponto de encontro entre profissionais e público em geral. “A Ovibeja é, em primeiro lugar, uma feira de agricultura. Para os agricultores. Mas é muito mais. É um local de convívio, de debate e de reflexão”, resume Rui Garrido, concluindo: “A Ovibeja é um local onde todos se sentem bem.”