Exército Português em prontidão: SAGITÁRIO 261 e ARGOS 262 já estão no terreno

No dia 20 de abril de 2026, o Campo Militar de Santa Margarida voltou a afirmar-se como o coração do treino operacional do Exército Português, com o início dos exercícios SAGITÁRIO 261 e ARGOS 262. Mais do que exercícios, são demonstrações claras de preparação, compromisso e capacidade.

Planeados pela Brigada de Intervenção, pelo Regimento de Cavalaria N.º 3 e pelo Regimento de Infantaria N.º 14, estes treinos colocam no terreno cerca de 600 militares, provenientes de diversas unidades do país — 600 militares que representam o melhor do Exército Português, unidos por um objetivo comum: garantir que a 9.ª Força Nacional Destacada (9FND/ROU/26/CAtMec) está
pronta para cumprir, com excelência, qualquer missão que lhe seja confiada na Roménia. No terreno, cruzam-se capacidades, integram-se sistemas, partilham-se experiências. O Agrupamento de Informações, Vigilância, Aquisição de Objetivos e Reconhecimento (AgrISTAR), assume um papel central, explorando ao máximo a integração de sensores — do reconhecimento no terreno à guerra eletrónica, dos sistemas não tripulados ao apoio geoespacial.

Aqui, cada movimento conta, cada decisão é treinada como se fosse real e cada um destes 600 militares prepara-se para o momento em que não há margem para falhar.

Estes exercícios são também um exemplo vivo da força conjunta do Exército Português, promovendo a integração entre brigadas, potenciando sinergias e reforçando a capacidade de atuação em ambientes complexos e exigentes. Até 28 de abril, o treino intensifica-se — culminando com fogos reais, onde se testa, sem reservas, a eficácia e a prontidão das forças.

Portalegre e Évora sem detenções por incêndio até abril, enquanto resto do país soma 59 casos, quase todos por negligência

A Guarda Nacional Republicana (GNR) deteve, até 17 de abril de 2026, um total de 59 pessoas pelo crime de incêndio rural em território nacional, num balanço que revela uma forte predominância de comportamentos negligentes associados ao uso do fogo.

De acordo com os dados divulgados pela autoridade, 57 das 59 detenções resultam de situações de negligência, sobretudo relacionadas com queimas e queimadas de sobrantes que acabaram por se descontrolar. Apenas dois casos terão outras origens.

Nos distritos de Portalegre e Évora não se registaram detenções até à data, ao contrário de outras zonas do país. Os distritos com maior número de detenções foram Braga e Vila Real (14 cada), seguidos de Leiria (10) e Viseu (7).

No que diz respeito ao perfil dos detidos, a maioria encontra-se nas faixas etárias mais elevadas. Destacam-se os grupos entre os 41 e os 50 anos (18 detidos) e entre os 51 e os 64 anos (16), mas há também registo de 13 detenções entre pessoas com idades entre os 75 e os 84 anos.

No âmbito da operação Operação Floresta Segura 2026, a GNR sinalizou 7.664 terrenos para limpeza obrigatória este ano. Nos distritos de Portalegre e Évora foram identificados 52 e 43 terrenos, respetivamente, números inferiores face a outras regiões como Leiria (1.794) ou Bragança (1.068).

Comparativamente com 2025, verifica-se uma diminuição no número total de sinalizações, que passou de 10.417 para 7.664 em 2026.

Relativamente à área ardida, os dados provisórios indicam que, até 15 de abril de 2026, já foram consumidos pelas chamas 7.675 hectares, um valor significativamente superior ao registado em 2025 (3.418 hectares) e que se aproxima dos números de 2022.

A GNR relembra que a floresta ocupa mais de um terço do território nacional e sublinha a importância de comportamentos responsáveis. Entre as principais recomendações estão o registo prévio de queimas, a evitação do uso do fogo em condições meteorológicas adversas e a garantia de extinção total após qualquer queima.

Através do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), a Guarda garante que continuará a intensificar a vigilância e a atuação no terreno, apelando à colaboração da população na prevenção de incêndios.

Coudelaria de Alter realiza Leilão Anual a 24 de abril, com 23 cavalos disponíveis para licitação

A histórica Coudelaria de Alter, fundada em 1748, abre as suas portas já no próximo dia 24 de abril para o seu leilão anual, um dos eventos mais aguardados do panorama equestre internacional. Em entrevista à Rádio ELVAS, o diretor do Departamento de Coudelarias da Companhia das Lezírias, responsável pela gestão da histórica Coudelaria de Alter, Francisco Beja, revelou que este “dia aberto” será uma verdadeira montra do trabalho de preservação da linhagem Alter Real, culminando na venda pública de 23 exemplares: 21 de Puro-Sangue Lusitano e dois Árabes.

Dia aberto é um dia de Festa

O dia arranca cedo com uma monográfica do Cão de Serra de Aires e ganha novo fôlego à tarde com o início do leilão, marcado pela atuação da centenária Banda Filarmónica de Alter. Mas o destaque do evento são os 23 animais que vão à praça. Francisco Beja sublinha que o grupo de animais foi cuidadosamente selecionado: “Tratam-se principalmente de dois ou três machos que se destacam e há duas ou três fêmeas também, para puxar para cima a qualidade dos animais. Há um bocadinho de tudo: desde éguas para reprodução ou para lazer, até machos com perfis muito distintos”.

Um dos destaques deste ano é a inclusão de um cavalo de escola: “Vai estar um ‘schoolmaster’, um cavalo que esteve na Escola Portuguesa de Arte Equestre e que regressa — um animal mais ensinado que pode ajudar um cavaleiro amador a evoluir ou alguém que queira apenas usufruir de um cavalo já posto. Mas também temos animais para quem pretenda investir num projeto desportivo e criar carreira”, detalha o diretor.

Adquirir um cavalo de Alter é, hoje, um processo de extrema confiança. Com bases de licitação que podem atingir os 20 mil euros, a Coudelaria aposta num dossier de transparência total para o comprador. “São tidos em conta fatores desde a genética até ao potencial desportivo e sanidade. Os cavalos mais caros são os que têm mais qualidades. A sanidade é crucial: são feitas inúmeras radiografias e ecografias para ajudar na decisão do futuro comprador”, afirma Francisco Beja, reforçando que este rigor é o que sustenta a valorização crescente dos animais no mercado internacional.

A Digitalização e o Sucesso Internacional

A internacionalização é, aliás, uma das grandes vitórias da estratégia recente da Coudelaria. Pelo terceiro ano consecutivo, o leilão decorre em formato presencial e online, atraindo licitações de todos os cantos do globo. “Os compradores cada vez são mais estrangeiros e a plataforma online facilita essa proximidade. Temos público ligado aos Estados Unidos, Brasil e Europa do Norte, como Suécia, Noruega e Dinamarca, além de França, Alemanha e Espanha. É a tradição aliada às modernas técnicas de venda e marketing”, refere o responsável, orgulhoso pelo facto de o Lusitano ser já a 6.ª melhor raça do mundo no ranking de dressage.

Sustentabilidade e Missão Pública

Gerir uma casa com séculos de história e um efetivo que ronda os 300 animais exige um equilíbrio delicado entre a rentabilidade e a preservação do património. Francisco Beja admite que “a sustentabilidade económica é sempre complicada numa casa grande que não foi concebida para ser rentável, mas o leilão ajuda muito na valorização do nosso produto. Os números têm subido, o valor médio das vendas tem aumentado e a qualidade tem-se mantido no topo”. Para além da venda, a Coudelaria cumpre uma função social e pedagógica essencial, mantendo parcerias com diversas universidades e escolas profissionais, garantindo que o cavalo de Alter continua a ser uma ferramenta de formação de excelência para o país.