
O projeto Centro Mutável promove, no próximo dia 11 de abril, uma nova edição das “Conversas à Volta do Centro III”, num formato nómada que percorre vários espaços da cidade de Montemor-o-Novo. A iniciativa convida o público a participar num dia de apresentações, caminhadas e momentos de reflexão em torno da arte contemporânea e dos processos criativos.
A atividade surge na sequência dos workshops realizados no outono do ano passado, integrados no projeto desenvolvido pela Oficinas do Convento, com curadoria de João Rolaça e da artista Margarida Alves. Segundo João Rolaça, “as Conversas à Volta do Centro vêm na sequência dos workshops do projeto Centro Mutável, um projeto da Oficinas do Convento, que faço a curadoria com a artista Margarida Alves”.
Durante esses workshops, artistas como Maja Escher, João dos Santos Martins e David Gonçalves exploraram a ideia de gesto especulativo, um conceito que privilegia a intuição e a experimentação como ferramentas de criação artística. “O gesto especulativo é um gesto que explora a intuição, a expressão das matérias e uma forma mais instintiva e imediata de trabalhar através dos processos e das matérias utilizadas”, explicou.
O trabalho desenvolvido ao longo dos workshops envolveu diferentes espaços e linguagens artísticas da cidade. Um dos exemplos foi o trabalho nas hortas da encosta do castelo. “Trabalhámos a partir das hortas que existem na encosta do Castelo de Montemor. Ali recolhemos objetos, falámos com pessoas, tirámos fotografias e pensámos sobre algumas ideias que ali observámos”, recordou.
Outro momento relevante foi dedicado ao movimento e à expressão corporal, conduzido pelo coreógrafo João dos Santos Martins. “Com o João tivemos a trabalhar o movimento no Cine-Teatro Curvo Semedo, mas também pela cidade de Montemor, explorando este gesto mais expressivo e especulativo através do movimento e da dança, de uma forma aberta a quem quisesse participar”, acrescentou
Já com o artista David Gonçalves, os participantes foram convidados a explorar o desenho como forma de expressão criativa. O objetivo das conversas, segundo a organização, passa por “pensar em conjunto o que foi este processo, dar a conhecer o que aconteceu e refletir sobre o que significa aquilo que foi experimentado”.
A edição deste ano dirige-se não apenas aos participantes dos workshops, mas também a um público mais amplo interessado em arte contemporânea. “Achamos que estas conversas podem interessar a um público mais alargado, não apenas aos artistas, mas a quem tenha interesse pela arte contemporânea e pelos processos criativos de hoje”, sublinhou.
Ao contrário de um modelo tradicional de conferência, o evento decorrerá em movimento pela cidade. O percurso terá início no castelo de Montemor-o-Novo, passando pelas hortas da encosta, pelo Cine‑Teatro Curvo Semedo e terminando no Convento de São Francisco, sede da Oficinas do Convento. Ao longo do dia, os participantes poderão assistir a apresentações, participar em experiências artísticas e partilhar momentos de convívio, incluindo um almoço preparado em lume de chão.
O encerramento contará com uma mesa-redonda moderada pela curadora Mariana Pestana, que promoverá o diálogo entre artistas e participantes sobre as experiências vividas e as reflexões suscitadas pelo projeto.
O Centro Mutável é uma co-produção das Oficinas do Convento e da VICARTE – Vidro e Cerâmica para as Artes, contando com financiamento do Município de Montemor-o-Novo, da Direção-Geral das Artes e do Ministério da Cultura, Desporto e Juventude.













