43.ª Volta ao Alentejo reforça ambição internacional e dureza no percurso

O auditório do Fórum Cultural Transfronteiriço de Alandroal recebeu, esta terça-feira, a apresentação oficial da 43.ª edição da Volta ao Alentejo em Bicicleta. A mítica prova, que decorre de 25 de março até à grande chegada em Évora, dia 29, reforça o seu papel como um dos eventos mais enraizados no calendário desportivo e na identidade da região. Com um percurso que arranca em Sines e atravessa o coração do Alentejo, a edição deste ano destaca-se pela cooperação entre municípios e pela aposta na visibilidade televisiva através da RTP.

Carlos Zorrinho, Presidente da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC), sublinhou a importância institucional da iniciativa que já faz parte do ADN da região. “O ser a 43ª edição mostra que é uma iniciativa muito importante, que já está enraizada na tradição, no calendário desportivo e no próprio calendário de divulgação do Alentejo, através dos valores do desporto. O desporto une as pessoas, o desporto une os territórios. Dá também maior visibilidade ao Alentejo, estas provas são transmitidas na televisão, o que também mostra o nosso território mais a fundo “, afirmou o autarca. Zorrinho destacou ainda o simbolismo de Évora, que celebra o 40.º aniversário do seu Centro Histórico como Património da Humanidade: “Perguntar-me o que é que o vagar tem a ver com o ciclismo, acho que tem muito, porque o vagar é a capacidade de ter consciência do tempo e, de facto, o desporto também nos ajuda, sobretudo este desporto, a corrida, o ciclismo e esse tipo de desporto, ajuda-nos a poder ao mesmo tempo ter a consciência do território, consciência da paisagem, consciência das pessoas, do tempo para sermos mais saudáveis e mais felizes”.

Cândido Barbosa, Presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, focou-se na estratégia de crescimento e nos desafios logísticos da modalidade. “Naturalmente que sim, porque só o facto de conseguirmos fazer um investimento em ter a RTP em direto é algo que vai ajudar em muito a promover os territórios que são para nós os nossos estádios para podermos praticar a nossa competição. Aliado a isso, o Alentejo tem história que nunca mais acaba, tem património, tem uma gastronomia única e, como tal, acho que este é o caminho”, explicou. Barbosa revelou ainda que a insegurança nos transportes aéreos impediu a vinda de mais equipas estrangeiras, lembrando episódios passados onde atletas da seleção nacional que chegaram ao destino, na Austrália, sem as bicicletas: “A expectativa é que sempre vença o melhor, vai ser sempre o mais rápido garantidamente e que este possa ser um ano diferente, um ano mais internacional e um ano que possa abrir portas novas equipas, em 2027”.

Do ponto de vista técnico e da memória histórica, o diretor de prova Ezequiel Mosquera recordou a sua própria experiência como corredor e a dureza das paisagens alentejanas. “Recordo o Cabeço de Mouros, Marvão, sou um fan de Marvão, de Castelo de Vide, todos estes castelos que estão nos topos das serras, que é para mim um sinal de identidade brutal do Alentejo. Lembro-me dos finais de etapa e sempre que havia um contra-relógio que sempre me atirava para o postos mais atrás (da classificação geral)”. Sobre o percurso atual, Mosquera deixou um alerta para a etapa de Portalegre: “A subida mesmo à Serra de São Mamede é um subida mesmo dura, dura, dura, desde a cidade de Portalegre, ao final vai a dar à montanha, uma etapa que nos últimos 60 km são duros, duros, “durissimos”, é uma final mesmo para trepadores”.

O anfitrião João Grilo, Presidente da Câmara Municipal do Alandroal, reforçou a ideia de que o investimento desportivo traz um retorno direto para a economia local e regional. “Nós sabemos que uma das formas mais interessantes de descobrir o nosso território é através de pessoas que gostam da prática desportiva, gostam do contacto com a natureza, gostam do contacto com aquilo que nós temos para oferecer, descobrem, ficam a conhecer, voltam noutras circunstâncias e portanto temos tido sempre um feedback muito positivo de todo o investimento que se faz em provas desportivas. O impacto é para o distrito. Se há um evento no Alandroal tem repercussões nos concelhos vizinhos. Também sabemos que, neste momento, o Concelho do Alandroal já tem organizado eventos em que não consegue acomodar todas as pessoas que vêm para estes eventos. E, portanto, sabemos que temos gente a ficar acomodada nos concelhos vizinhos de Vila Viçosa, Redondo ou Elvas. É importante para a região, é isso que interessa”.

Com o arranque marcado para Sines e o final em Évora, a 43.ª Volta ao Alentejo promete ser uma demonstração de vitalidade e renovação, consolidando o território como um destino de excelência para o ciclismo e para o turismo de bem-estar.

O Roteiro das 5 Etapas:

  1. Sines → Almodôvar (Abertura) 25 de março
  2. Ferreira do Alentejo → Montemor-o-Novo 26 de março
  3. Crato (Contrarrelógio Individual) 27 de março
  4. Vila Viçosa → Serra de São Mamede (Etapa Rainha) 28 de março
  5. Moura → Évora (Grande Final) 29 de março

6 ATLETAS DO DISTRITO DE ÉVORA NO CAMPEONATO NACIONAL DE PISTA CURTA DE VETERANOS

Nos dias 7 e 8 de março realizou-se, no Centro de Alto Rendimento do Jamor, o Campeonato Nacional de Pista Curta de Veteranos, competição que contou com a participação de seis atletas do distrito de Évora, em representação de vários clubes da região.

Henrique Santos, do Grupo Desportivo Diana, sagrou-se Campeão Nacional na prova de Marcha 3000 metros, no escalão M60, tendo ainda alcançado o 7.º lugar no lançamento do peso.
Também pelo Grupo Desportivo Diana, Anjos Moreira, conquistou o título de Vice-Campeã Nacional nos 3000 metros no escalão F50, somando ainda um 4.º lugar na prova de 800 metros. Do mesmo clube, Armando Lacerda participou em três provas no escalão M70, alcançando o 4.º lugar nos 800 metros, o 6.º lugar nos 1500 metros e também o 6.º lugar nos 3000 metros.

Pedro Peniche, do Clube Furões do Alentejo, terminou na 8.ª posição na prova de 60 metros no escalão M40.

João Paulo Guedes, do CORK – Cortiçadas Clube Alentejo, conquistou o 3.º lugar no salto em altura no escalão M40.

Já Tiago Marques, da Casa do Benfica de Reguengos de Monsaraz, competiu na prova de 3000 metros no escalão M45, terminando na 11.ª posição.

A participação destes atletas voltou a destacar a presença do distrito de Évora numa das principais competições nacionais do atletismo veterano.