CCDR Alentejo inicia pagamento de apoios a agricultores afetados pelos incêndios de 2025

A CCDR Alentejo, I.P. deu início ao pagamento das compensações financeiras destinadas aos agricultores que sofreram prejuízos significativos na sequência dos incêndios que atingiram a região do Alentejo nos meses de julho e agosto de 2025.

Estes apoios, enquadrados no Decreto-Lei n.º 98-A/2025, materializam o compromisso do Estado com a proteção da atividade agrícola, a salvaguarda do rendimento dos produtores e a coesão territorial, assegurando uma resposta pública responsável, eficaz e
orientada para o interesse geral.

Numa primeira fase, foram já apoiados 88 agricultores, correspondendo a um montante global de 541.674,08 euros. Os restantes processos encontram-se em fase de acompanhamento prioritário, estando garantida a continuidade dos pagamentos até à
conclusão integral do apoio às explorações afetadas.

De acordo com o vice-presidente da Agricultura da CCDR Alentejo, Roberto Grilo: “Perante situações excecionais, o Estado tem o dever de agir com rapidez, rigor e sentido de justiça. Estes pagamentos demonstram que o Estado cumpre no território, protege quem produz e responde às necessidades concretas das populações. A agricultura é um pilar estratégico da região e continuará a merecer uma atuação pública firme e responsável.”

A CCDR Alentejo, I.P. sublinha ainda o papel fundamental dos municípios, cuja colaboração foi determinante na identificação dos prejuízos e na operacionalização do processo, refletindo uma atuação articulada entre a administração central, regional e
local.

Esta intervenção insere-se numa visão de governação de proximidade, reforçando a confiança dos cidadãos nas instituições públicas e afirmando o Alentejo como um território resiliente, produtivo e preparado para enfrentar os desafios das alterações
climáticas.

Universidade de Évora participa em projeto transfronteiriço RECORVHABIT

A Universidade de Évora integra o projeto transfronteiriço RECORVHABIT – Recuperação Funcional e Promoção de Hábitos Saudáveis na Terceira Idade em Zonas Rurais, desenvolvido no âmbito do programa INTERREG España-Portugal (POCTEP). A participação da UÉVORA, através de alguns docentes da Escola de Saúde e Desenvolvimento Humano, Departamento de Desporto e Saúde, traduz uma estratégia institucional orientada para a valorização das populações do interior, para a promoção do envelhecimento ativo e para a produção de conhecimento científico com impacto direto nas comunidades.

Liderado pela Universidad de Extremadura (Espanha), e contando com a Universidade de Évora como parceira académica em Portugal, o projeto articula-se com municípios e instituições locais para implementar ações estruturantes: formação de técnicos, reforço de redes de apoio comunitário e criação de espaços equipados para a prática de exercício físico adaptado e reabilitação funcional que no caso português será implementada esta sala no Município de Vila Viçosa. Ao atuar num consórcio internacional e multidisciplinar, a Universidade de Évora assume, assim, um papel central na dinamização de respostas inovadoras para os desafios da saúde e da coesão territorial, contribuindo para modelos sustentáveis e replicáveis noutras regiões rurais não só nacional como também internacionalmente.

O projeto tem como objetivo central promover a recuperação funcional e estilos de vida saudáveis entre idosos residentes em zonas rurais, mediante a implementação de ações integradas — formação de técnicos especializados, reforço de redes locais de apoio, e disponibilização de infraestruturas adaptadas, como salas equipadas com aparelhos de desporto, para uso de utentes séniores. Essa infraestrutura visa servir de base para programas regulares de exercício físico e reabilitação funcional adaptada às necessidades da população sénior rural.

Este modelo de intervenção enquadra-se nas orientações europeias para a promoção do envelhecimento ativo, respondendo às necessidades específicas de territórios marcados pelo isolamento geográfico, pelo envelhecimento populacional e pela insuficiência de serviços especializados. Para além do impacto direto na saúde e funcionalidade dos participantes, o projeto visa produzir conhecimento científico que permita avaliar a eficácia destas intervenções em contexto real. Esta dimensão de investigação científica, liderada em parte pela equipa da Universidade de Évora, deverá gerar resultados robustos sobre práticas de promoção da saúde em meios rurais, contribuindo para orientar políticas públicas e futuros programas de intervenção comunitária. A criação de um modelo integrador de intervenção — combinando formação técnica, cooperação institucional, participação comunitária e infraestrutura adaptada — poderá servir como referência replicável para outras regiões com perfil demográfico e geográfico semelhante. Socialmente, o projeto visa reforçar a coesão comunitária, promover a autonomia e a independência dos idosos, e favorecer a sua inclusão ativa na vida local, contribuindo para combater o isolamento e promover a dignidade e o bem-estar nesta faixa etária. 

Com o envolvimento da Universidade de Évora, o RECORVHABIT traduz o compromisso de uma instituição académica com a responsabilidade social e com a investigação aplicada, ao colocar o saber e os recursos universitários ao serviço das comunidades mais vulneráveis ou periféricas. Este projeto reafirma a pertinência de abordagens multidisciplinares, que integrem desporto, saúde, formação e cooperação institucional, para responder a desafios complexos como o envelhecimento da população, o despovoamento e as desigualdades territoriais.

Novas lideranças eleitas para as CCDR em processo de descentralização regional. Pinheiro confirmado no Alentejo

As eleições indiretas para as presidências das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) realizaram-se ontem, dia 12 de janeiro, num processo que envolveu a votação de colégios eleitorais compostos por quase 11 mil autarcas de todo o continente. Segundo o Ministério da Coesão, os novos dirigentes foram escolhidos com base num acordo político entre o PSD e o PS, que assegurou a alternância de lideranças partidárias nas cinco regiões do país. Este sufrágio é visto pelo Governo como um passo determinante para consolidar a desconcentração de competências e aproximar o planeamento estratégico das necessidades reais das populações.

Os resultados confirmaram Álvaro Santos (PSD) na CCDR do Norte e Ribau Esteves (PSD) na região Centro, enquanto as lideranças de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve ficaram entregues aos socialistas Teresa Mourão Almeida, Ricardo Pinheiro e José Apolinário, respetivamente. Paralelamente, os presidentes de câmara elegeram também os vice-presidentes regionais, destacando-se as escolhas de Ricardo Bento (Norte), Nuno de Almeida (Centro), José Alho (Lisboa e Vale do Tejo), Aníbal Costa (Alentejo) e Jorge Botelho (Algarve). À exceção da região Norte, onde houve uma candidatura alternativa, todas as restantes listas foram únicas.

No Alentejo, o novo presidente eleito como se esperava, Ricardo Pinheiro, sucede a António Ceia da Silva com a promessa de imprimir uma dinâmica de maior proximidade, eficácia e defesa dos interesses do território. O antigo secretário de Estado e ex-autarca de Campo Maior sublinhou “a importância de unir os vários “Alentejos” para reforçar a afirmação da região nos contextos nacional e europeu”. Com este novo figurino diretivo, que incluirá ainda vice-presidentes nomeados pelo Governo para áreas setoriais como saúde e educação, as CCDR reforçam a sua estrutura de governação para os próximos quatro anos.