Barragem do Pisão é um “primeiro tiro da bazuca fora do alvo”, diz a Quercus

O Governo e a Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA) assinaram, no final de julho, o contrato de financiamento para a construção da Barragem do Pisão, no concelho do Crato: um projeto do Estado Novo que, por falta de viabilidade, nunca tinha sido executado.

Inscrita para investimento no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), a Barragem do Pisão, ou o Empreendimento de Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Crato, defende José Janela, da Quercus, na edição desta semana do programa “Ambiente em FM”, é “um primeiro tiro da bazuca fora do alvo”, tendo em conta “os elevados impactos ambientais sobre o montado e destruição da agricultura tradicional sustentável”, resultantes da sua construção.

O PRR, defende a Quercus, “no contexto da crise económica e social devido à pandemia, deveria contribuir para o crescimento sustentável integrado no Pacto Ecológico Europeu (Green Deal) e não para financiar projetos destrutivos e inviáveis sem um grande investimento público e comunitário”.

Em causa estão 120 milhões de investimento já inscritos só no PRR, para um projeto estimado inicialmente em 171 milhões de euros, que “entre os fortes impactes vai levar à sobrecarrega os contribuintes em benefício apenas da construção e envolvidos”.

Entretanto, adianta José Janela, “o Governo já tinha promovido o concurso público para aquisição de serviços de ‘Avaliação da sustentabilidade e desenvolvimento integrado dos recursos hídricos e energéticos do empreendimento de aproveitamento hidráulico de fins múltiplos do Crato’, no valor de 950 mil euros, isto ainda antes de estar feito o Estudo de Impacte Ambiental e portanto de existir uma Decisão da Avaliação de Impacte Ambiental devidamente fundamentada”.

Este empreendimento, defende ainda a Quercus, com os blocos de rega afastados, “vai promover o alastramento descontrolado das culturas superintensivas de regadio, que tem vindo a descaracterizar o Alentejo, situação que deve ser controlada”.

A Quercus lamenta ainda que a Comissão Europeia “tenha permitido o financiamento de projeto destrutivo e apesar da conivência do Governo e dos partidos políticos, vai continuar a acompanhar atentamente e a escrutinar todo o processo”.