Pandemia: dificuldades não impedem trabalho diário com utentes da Cercimor

A Cercimor, a Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados, sediada em Montemor, mas que dá apoio a pessoas com deficiência ou incapacidade também a residentes nos concelhos de Vendas Novas, Arraiolos e Mora, à semelhança de outras instituições, enfrentou algumas dificuldades com estes períodos de pandemia.

As rotinas no seio da instituição tiveram de ser adaptadas e o trabalho a desenvolver com os utentes reinventado. Desde logo, a instituição, que dá resposta a vários públicos, através de diferentes metodologias de trabalho, explica a presidente da direção, Ana Cristina Saloio, procurou adaptar-se “o mais rapidamente possível” ao momento que se vivia, respondendo às necessidades “da melhor maneira”, apesar das incertezas, os medos e o desconhecido. Importante, contudo, era que dentro dos recursos que a instituição tinha, continuar a dar resposta às necessidades dos utentes.

“Tentámos dar sempre reposta, em articulação com os parceiros da própria comunidade, porque juntos somos mais fortes, mas houve aqui a necessidade de percebemos como é que podíamos nos ajudar uns aos outros”, adianta Ana Cristina Saloio.

Ao nível da intervenção precoce, em que o trabalho é desenvolvido no exterior da instituição, procurou-se arranjar estratégias para, mesmo neste período, conseguir chegar às famílias. “As coisas não desaparecem, porque os riscos continuam, ao nível das necessidades de saúde e do desenvolvimento das crianças, e, por isso, tentámos minimizar tudo aquilo que estávamos a viver e aquilo que poderia causar às próprias famílias e crianças desta unidade”, revela. Nesse sentido, as equipas “foram arranjando estratégias, até com as famílias, com os professores e os educadores, para chegarem às famílias, mesmo nas fases de confinamento”.

Também o trabalho desenvolvido, no âmbito do Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental, por esta altura, foi feito, com todos os cuidados, com as crianças sinalizadas e em risco, para que continuasse a existir um contacto presencial. “Trabalha-se com crianças e jovens em risco psicossocial e as escolas estiveram encerradas. Houve necessidade de perceber como se poderia chegar a essas crianças, o que é que acontecia na casa dessas crianças, porque se estavam sinalizadas à unidade e estão, de alguma forma, em risco, elas continuam nessa situação”, explica Ana Cristina Saloio. Os domicílios, ainda que à porta, sempre com todos os cuidados necessários, continuaram, dessa forma, a acontecer.

Ao nível do Centro de Reabilitação e Formação Profissional, revela a responsável, também houve necessidade de algumas adaptações, com o espaço físico encerrado. Dar formação à distância, contudo, não foi tarefa fácil.

A presidente da direção da Cercimor assegura ainda que, embora esta tenha sido uma altura crítica, a instituição contou com o apoio das várias autarquias dos concelhos a que dá resposta – as de Montemor, Vendas Novas, Mora e Arraiolos – bem como da União de Freguesias de Vila, Bispo e Silveiras.