Falha geológica de Castelo de Vide no “Ambiente em FM”

A falha geológica de Castelo de Vide é a mais expressiva na geologia local. Esta falha, como explica José Janela da Quercus, na edição desta semana do “Ambiente em FM”, resulta de uma fratura, nas rochas e na própria paisagem, sendo que, não estando ativa, não se corre o risco de um sismo.

Esta falha, em Castelo de Vide, “vê-se muito bem”, adianta o ambientalista, porque “houve um deslizamento horizontal dos terrenos de cerca de 300 metros, ou seja, há uma zona da crista quartzítica, que fica na Serra de São Paulo, mesmo em frente a Castelo de Vide, e vê-se que essa crista foi interrompida, devido a movimento tectónicos que ocorreram há já mais de nove milhões e meio de anos”.

Na Serra de São Mamede, adianta José Janela, podem observar-se várias cristas quartzíticas, estando a falha de Castelo de Vide relacionada com nascentes termominerais. A crista onde está a falha é formada por quartzito do Ordovícico com cerca de 450 milhões de anos, tal como a crista quartzítica de Marvão.

“A falha é uma estrutura geológica e geomorfológica de valor e expressão significativa na paisagem, é a falha mais expressiva na geologia local”, revela ainda José Janela, assegurando que “a geologia determina as ricas águas que se podem beber na zona”.

Este é um “sítio ótimo para compreender a interligação entre os fatores naturais, económicos e socioculturais na construção do território e das paisagens”. “Devemos então ter em atenção em primeiro lugar os fatores naturais, onde está a geologia, que é um componente do ecossistema e que vai determinar a biodiversidade”, remata.