Proteção de locais de elevado valor ecológico traz amplos benefícios ambientais

A proteção de locais de elevado valor ecológico traz amplos benefícios ambientais: é esta a conclusão a que chegou um grupo de investigadores, no âmbito de um projeto de sistemas de informação e monitorização da biodiversidade marinha das Áreas Classificadas do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (MARSW), que desenvolveram entre 2017 e 2021, com a participação da Universidade de Évora.

O projeto MARSW, cuja coordenação e execução científica é da responsabilidade do consórcio entre a Universidade de Évora (MARE), o CCMR (Universidade do Algarve) e a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (MARE), desenvolveu um sistema de informação e monitorização que contribuirá para a avalização periódica dos objetivos de gestão e ordenamento das áreas marinhas classificadas do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e às necessidades de conhecimento da distribuição da biodiversidade e dos habitats protegidos pela Diretiva Habitats, bem como da avaliação periódica do seu estado de conservação.

Aquando da avaliação e adaptação de medidas de gestão, da revisão periódica de planos de ordenamento, do conhecimento e definição de locais representativos dos habitats e espécies a proteger e de propostas de alargamento dos limites das áreas classificadas, bem como para informar os seus utilizadores e poder envolvê-los na sua gestão, o conhecimento do estado de conservação das espécies e habitats e da eficácia dos planos de gestão e ordenamento tornam-se centrais para o suporte da decisão e gestão.

Deste modo, os resultados obtidos confirmam o efeito de proteção das áreas marinhas protegidas e a sua importância para a salvaguarda da biodiversidade e das comunidades costeiras. As áreas de proteção mais estrita da Ilha do Pessegueiro e do Cabo Sardão, na costa do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, viram aumentar não só a diversidade de peixes em cerca de 30%, mas também a sua abundância na ordem de 150%, e ainda o tamanho de algumas espécies com interesse comercial até 20%.

O projeto MARSW foi confinanciado ao abrigo do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR), tendo sido promovido e coordenado pela Liga para a Proteção da Natureza, em parceria com o ICNF.