Vítor Matos: quando o amor ao desporto é maior que uma doença rara

VitorMatosVítor João Matos (na foto) é o fundador da equipa de futebol dos “Amigos de São Brás dos Matos”, no concelho de Alandroal. Um amante de desporto que, devido à doença rara de que sofre, Fibrodisplasia Ossificante Progressiva, a certa altura, deixou de poder correr e saltar como os colegas da escola.

Ainda assim, perante todas as dificuldades, tenta ser feliz e manter-se sempre ativo, mesmo hoje, aos 38 anos. A paixão, pelo desporto, conta, começou ainda em pequeno, com a tradição do torneio de futsal do 25 de abril em Alandroal. “Como não podia participar, organizava sempre uma equipa e ficava no banco, todos os anos”, revela.

A condição de Vítor Matos começou a ficar mais comprometida aos 17 anos, sendo que os primeiros sintomas da doença surgiram com a dificuldade em mover o pescoço, ainda em bebé. Chegou a tirar a carta de condução, mas aos “vinte e poucos anos”, com o agravamento da doença, nunca mais pôde sentar-se ao volante de um carro.

Desde os 18 anos que se movimenta apenas com a ajuda de canadianas. “Se não fosse assim, não me conseguia movimentar”, garante. Desde essa altura que Vítor precisa da ajuda imprescindível da família para poder viver, dentro do possível, o seu dia a dia. “É muito complicado viver assim. Há cerca de vinte anos que piorei e preciso de ajuda para me movimentar”, revela.

Confessa ainda que nunca esperou que a doença fosse tão grave como se veio a comprovar. “Nós nunca pensámos que isto chegasse ao ponto a que chegou. A doença só me foi diagnosticada aos 18 anos, porque os médicos apontavam para outra doença, que não era tão grave”, explica ainda.

SaoBrasDosMatosA verdade é que nem a doença impediu este homem, em 2012, de fundar a equipa dos “Amigos de São Brás dos Matos”, da qual é líder e dinamizador. Apesar de não entrar em competições oficiais, esta equipa, constituída por jogadores dos 17 anos aos 53 anos, já realizou mais de 150 jogos.

A Fibrodisplasia Ossificante Progressiva, uma doença genética e extremamente rara, que afeta uma pessoa em cada dois milhões, faz com que se forme osso nos músculos, nos tendões, nos ligamentos e noutros tecidos. Este “osso adicional” forma-se por cima das articulações e vai progressivamente restringindo os movimentos.

Vítor Matos foi um dos convidados de Paulo Canas, na edição de ontem, 7 de março, da Bancada Desportiva, na RNA.