Estereótipos de género na rubrica “Elvas + Solidária”

MariaCaladoBrancoOs estereótipos de género afetam muitas pessoas, em qualquer parte do mundo, desde muito cedo, sendo fomentados pela sociedade em geral, desde os pais até aos professores.

Estereótipos, explica a psicóloga clínica Maria Calado Branco, na edição desta semana do programa “Elvas + Solidária”, que podem ter funções positivas, para além das negativas, não são mais que ideias pré-concebidas e rótulos que são atribuídos a cada pessoa, que servem, sobretudo, para julgar.

“São conceitos, imagens, são coisas pré-concebidas, generalizadas, que não exigem um conhecimento profundo sobre algo ou alguém. São simplificados pelo senso comum, são quase como rótulos e são utilizados de modo automático. Estão relacionados com a história, a geografia, com a cultura e os valores de cada um”, explica a psicóloga.

Quanto às funções dos estereótipos, revela Maria Calado Branco, se por um lado, os mesmos nos permitem “ler e atribuir significado a tudo aquilo que nos rodeia”, o que até é positivo, por outro, também servem para caracterizar o outro em termos de identidade social.

Os estereótipos, do ponto de vista da psicologia, podem ser divididos em três categorias: social e económico, cultural e étnico e de género. Ao nível dos estereótipos de género, que acabam por definir que características homens e mulheres devem ter (que comportamentos devem ter e que roupas devem usar, por exemplo), explica Maria Calado Branco, o preocupante é que os mesmos começam a ser atribuídos ainda antes das crianças nascerem.

A psicóloga exemplifica com o facto das primeiras roupas de bebé só serem compradas depois de se saber o sexo do bebé. Se for menina, compra-se roupa rosa; se for menino, irá vestir roupa azul. “Mas todos fazemos isto, até com brinquedos. A menina brinca com bonecas e o menino com carros”, lembra ainda.