Feirantes encontram nas redes sociais uma forma de negócio

Neusa RodriguesDa feira para o online. Foi assim que muitas feirantes encontraram a forma de dar a volta por cima ao cancelamento de feiras e mercados, um pouco por todo o país. Neusa, Raquel e Marília Rodrigues são três irmãs, naturais da aldeia da Nora, no concelho de Borba.

Desde sempre que as feiras e mercados fazem parte das suas vidas. Primeiro com os seus pais e depois por conta própria. Agora, em entrevista à Rádio ELVAS, contam como foram os últimos meses em que as despesas se mantinham e os rendimentos ficaram reduzidos a zero.

Neusa Rodrigues é a mais nova das três irmãs. Com apenas 20 anos, Neusa confessa que esteve parada cerca de três meses e recebeu um apoio de 70 euros num dos meses. “Nem se considerou apoio. Disseram-nos que íamos receber durante três meses mas foi só um mês. Nem deu para começar. Temos filhos e não é nada fácil”.

Nas redes sociais tudo começou, como refere Neusa, “através de uma brincadeira” com a publicação de alguns artigos. “Começámos por publicar algumas fotografias e houve um dia em que decidimos fazer o primeiro direto”. No entanto, a feirante refere que “nada se compara ao mercado ao ar livre. Só queremos regressar à nossa vida de feiras e mercados”.

Marilia RodriguesRaquel Rodrigues, de 26 anos, dedica-se à venda de roupa, sobretudo para senhora, e considera que “a realização dos mercados não se assume como um problema, uma vez que nunca se conheceu nenhum caso resultante dos mercados de levante. Nós temos todos os cuidados e nunca se ouviu que um feirante estava infetado ou que tenha surgido algum foco derivado de feiras e mercados. É bem pior os centros comerciais que são espaços fechados”.

Raquel refere que os vídeos através do Facebook foram “um grande suporte nos períodos mais críticos da pandemia. Ao início, o lucro foi bem melhor. Agora como os mercados e os centros comerciais já começaram a reabris, nota-se alguma quebra”. Apesar de ter conseguido fazer face às despesas, Raquel Rodrigues garante que” nunca trocaria a internet pelas feiras e mercados. A minha vida é feiras e mercados. Foi o que escolhi e é o que sei fazer”.

Marília Rodrigues é a mais velha das três irmãs. Com apenas 30 anos, começou a trabalhar por conta própria aos 16 e confessa que no início da pandemia não viam “uma luz ao fundo do túnel. Os dias foram passando e fomos começando a aprender a lidar com a situação. Ao dia de hoje já estamos mais habituados mas ao início foi mesmo muito difícil. Durante o período mais critica eu recebi 82 euros de apoio. Continuamos a pagar a segurança social mas a única verba que recebemos foi essa. Que não deu para nada”.

A jovem feirante assume que viu-se obrigada a “aderir às novas tecnologias para poder pagar as despesas” e deixa “um agradecimento muito grande a todas as clientes porque sem elas não seria possível”.

A região Alentejo é marcada por mercados de levante, quase que um por dia, em diversas localidades. Antes da pandemia, Marília fazia cerca de “18 mercados por mês”. Atualmente tem “cerca de oito e é porque todos os sábados temos em Estremoz. Logo aí são quatro por mês”.

Marilia Rodrigues 2Por ultimo, Marília Rodrigues deixa o apelo a todos para que comprem e apostem no comércio local: “gostava de pedir às meninas que apelam às compras no comércio local para que também elas as façam em vez de irem para as grandes superfícies. Eu faço o apelo ao consumo no comércio local mas não me lembro só de mim. Lembro-me das padarias, restaurantes e pequenas mercearias. Estamos a passar uma fase muito complicada e todos precisamos do apoio de todos”.

Feirantes encontram nas redes sociais uma forma de vender os seus produtos numa altura em que não há feiras e os mercados de levante são poucos.