Presidente da República diz que terceira vaga pode acontecer em janeiro

marcelo rebelo de sousaO Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa anunciou ontem, numa comunicação ao país, a renovação do estado de emergência até ao dia 8 de dezembro.

Marcelo Rebelo de Sousa expõe as seis razões que se prendem com esta renovação, e diz que “uma terceira vaga pode acontecer já em janeiro ou fevereiro”.

Das razões apontadas pelo Presidente da República:

  • primeiro, apesar de sinais de ligeira descida do indicador de propagação do vírus e desaceleração do crescimento dos casos em concelhos em que se interveio há mais tempo, sobe o número de mortos, o número de cuidados intensivos, o número de internados geral e poderá atingir valores máximos entre o final de novembro e o princípio de dezembro”;
  • segundo, “confirmam os especialistas que as medidas demoram cada vez mais a produzir os efeitos visados e quanto mais tarde forem tomadas, menos eficazes serão, e mais tempo terão de durar”;
  • terceira, dispomos agora de dados mais específicos sobre os casos que permitem juntar, às medidas comuns ou globais, medidas ajustadas à situação de grupos de concelhos com graus diversos de gravidade na sua incidência, isto é, na gravidade da pandemia”;
  • quarta, “é provável que uma nova subida de casos, ou dito mais simplesmente, uma terceira vaga possa ocorrer entre janeiro e fevereiro e será tanto maior quanto maior for o número de casos um mês antes. Ou seja, importa tentar conter fortemente em dezembro o processo pandémico mesmo que ele, dias antes, aparentasse ter passado o pico da chamada segunda vaga”;
  • quinta, “se tudo isto impuser a ponderação, em devido tempo, de renovação do estado de emergência de 9 a 23 de dezembro ou mais renovações posteriores, que ninguém se iluda, não hesitarei um segundo em propô-las para que o governo disponha de base suficiente para propor o que tem de ser aprovado”;
  • e sexta e essencial palavra, no pensamento de responsáveis políticos como no de todos os portugueses encontra-se presente a brutal pressão que existe sobre o Serviço Nacional de Saúde e mesmo o sistema nacional de saúde em geral, pressão essa que vai aumentar nos próximos dias e semanas e que cumpre evitar que culmine em situações críticas generalizadas, o que implica a exigência de tentar conter o curso da pandemia em dezembro e certamente também nos primeiros meses de 2021″.

O presidente da República deixou ainda um apelo à população para que “continuem, como até agora, a ser solidários, num momento, num processo tão longo de provação coletiva, assim confirmando a sua responsabilidade cívica e ética, e que se não dividam irreparavelmente entre os defensores vida e da saúde e os defensores da economia, da sociedade e da cultura, entre os defensores da dureza sanitária e os defensores da abertura económica”.

Ainda hoje o primeiro-ministro, António Costa, anuncia ao país quais as medidas para o novo estado de emergência, que entra em vigor na próxima terça-feira, dia 24. O primeiro-ministro deverá ainda revelar quais são os concelhos mais afetados pela pandemia e quais as medidas a aplicas nos mesmos.