Diretora Regional de Cultura do Alentejo quer classificação do megalitismo alentejano

megalistismoNo seguimento das várias destruições de património arqueológico, em particular megalítico, em consequência do modelo de agricultura super intensiva que tem vindo a ser implementado desde há vários anos no Alentejo, de forma totalmente desregulada no que respeita a valores culturais, Ana Paula Amendoeira, Diretora Regional de Cultura, apresentou oficialmente uma proposta para a classificação urgente e excecional de todo o conjunto do património megalítico da região.

Face à ausência de regulação que impede que se atue preventivamente e à crescente e sistemática destruição da paisagem histórica e do património arqueológico e vernáculo, sobretudo no Baixo Alentejo e no Alentejo Central, mas também já com várias ocorrências no Alto Alentejo, a Diretora Regional de Cultura do Alentejo dirigiu a referida proposta de classificação à Direção – Geral do Património Cultural e ao Conselho Nacional de Cultura – Secção do Património Arquitetónico e Arqueológico, na passada quarta-feira, 21 de outubro. A proposta, sustentada no trabalho de especialistas é composta por um dossier de classificação com cerca de 2000 páginas e contempla mais de 1600 monumentos (alguns já classificados). A aprovação desta proposta com o consequente despacho de abertura de procedimento de classificação, contribuirá para dissuadir futuras destruições e para que o Estado assuma o seu papel na defesa do interesse público no que ao património megalítico diz respeito.

O megalitismo é um conceito relativo a um complexo conjunto de práticas mágico-religiosas pré-históricas relacionadas com a morte e o sagrado, além da arquitetura monumental que o caracteriza. O Alentejo corresponde à área de maior concentração de monumentos megalíticos da Península Ibérica e uma das mais relevantes à escala europeia.

O megalitismo alentejano é um fenómeno estreitamente relacionado com a paisagem física e também com a paisagem humana do 4.º e 3.º milénios antes da nossa Era. Entre as tipologias megalíticas encontram-se antas (ou dolmens) que surgem na região de forma mais abundante, e menires, isolados ou associados em grandes recintos, sendo que, além dos monólitos, o megalitismo se apresenta também através de muitos outros suportes: gravuras em menires, pinturas em abrigos, e no espólio votivo (placas de xisto gravadas por exemplo), são alguns exemplos da arte megalítica, que se encontram na região.

O facto de o megalitismo alentejano ser um valor cultural excecional e único, de relevância científica nacional e internacional, um património de grande potencialidade turística e, acima de tudo, constituir uma marca identitária da paisagem cultural do Alentejo que se encontra em risco e que urge preservar, levou a DRC Alentejo a tomar a decisão de apresentar esta proposta de classificação urgente e excecional do Megalitismo do Alentejo como conjunto de interesse Nacional.