“Assédio, intimidação e chantagem” na Embraer de Évora, acusa SITE Sul

EmbraerO Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul (SITE Sul) vem chamar a atenção para um alegado clima “de medo”, que se vive no seio da Embraer, em Évora, e anunciar a adesão dos trabalhadores à Ação de Luta convocada pela CGTP-IN para as 10.30 horas de sábado, dia 26, em Évora, “onde irão denunciar estas práticas e exigir da empresa o fim das chantagens, pressões e intimidação”.

“Os trabalhadores da Embraer organizados no Sindicato SITE Sul rejeitam as estórias usadas para justificar pressões e chantagens sobre os trabalhadores, tentando que estes aceitem acordos de despedimento. Desde meados de julho os trabalhadores da construtora de aviões a desempenhar funções nas instalações de Évora, têm sido confrontados com a imposição de propostas de rescisão do contrato de trabalho (despedimento)”, pode ler-se num comunicado enviado à redação da RNA.

As propostas de rescisão “amigável”, garante o SITE Sul, “são sempre acompanhadas das mais variadas formas de assédio aos trabalhadores, desde a alteração repentina de funções, da troca dos horários de trabalho, ameaças de idas para lay-off ou de adaptabilidade de horário (Banco de Horas) sem que ninguém conheça os conteúdos da mesma, mas que futuramente significariam graves prejuízos monetários para os trabalhadores e desregulação da sua vida”.

“Devido à intervenção sindical e respetiva denúncia dos acontecimentos acima relatados, tem existido por parte das chefias alguma moderação no assédio sobre os trabalhadores. A Embraer tem vindo a ter ao longo dos anos, práticas de individualização das relações de trabalho, através isolamento individual de cada trabalhador, instalando e generalizando o medo pelos trabalhadores, impedindo assim a discussão dos problemas internos”, lê-se no comunicado.

Estes trabalhadores, garante o sindicato, “não vêm reconhecidas as suas categorias profissionais de acordo com as indústrias metalúrgicas e químicas, nas quais estão inseridos, nem tão pouco lhes é atribuída a justa valorização salarial, pela execução e desempenho de trabalhos/tarefas de elevada especificidade e responsabilidade. Trabalhos estes que tanto na secção dos compósitos, como na secção da metalurgia, são responsáveis pelo desenvolvimento de doenças profissionais nos trabalhadores que lá prestam o seu serviço diariamente”.

Os trabalhadores “sentem-se desapoiados por parte da administração da empresa e questionam a falta de transparência do plano de produção até final do ano, as perspetivas de futuro e a necessidade de salvaguarda do emprego”.

O sindicato terá solicitado, em agosto, uma reunião à administração da Embraer, a qual “só após muita pressão e insistência ficou agendada para 23 de outubro”.