Construção da linha ferroviária de mercadorias Sines-Évora Caia

Logo_PSD_corO PSD manifesta a sua surpresa e preocupação pelo facto da ligação ferroviária Sines-Caia, cujos concursos para obra o Governo estima lançar até ao final de março deste ano, não prever qualquer paragem no Distrito de Évora ou, pelo menos, nada constar nos documentos existentes que, de uma forma clara, identifique paragens do comboio de mercadorias no distrito de Évora.

Desta forma, os principais centros urbanos do Distrito e as indústrias aí localizadas perderão uma oportunidade histórica para ficarem ligados a um grande eixo de transporte de mercadorias europeu, por ferrovia.

O atual Governo, que advoga a necessidade dos grandes investimentos nacionais e
estruturantes ponderarem uma dimensão de desenvolvimento regional, é o mesmo que vem agora com esta atitude revelar uma enorme falta de visão estratégica que penaliza a economia e a capacidade de atração de investimento do Distrito.

O PSD estranha ainda o facto do tema do transporte de passageiros estar totalmente ausente do projecto da nova ligação Sines-Caia, pelo que ficam dúvidas sobre se a nova linha poderá no futuro acrescentar competitividade à capacidade de atração do turismo regional, bem como melhorar a mobilidade dos residentes.

O PSD não compreende, igualmente, o regozijo público do Senhor Presidente da Câmara
Municipal da Évora com a construção de uma infra-estrutura, a qual levará para o interior da Cidade e para a estação ferroviária, mais de 50 comboios de mercadorias diários, com uma dimensão média de 750 metros, sem que se tenha acautelado com essa situação qualquer dividendo ou beneficio para a indústria e comércio locais.

Com efeito, a escolha do traçado que atravessa a Cidade de Évora e a recusa liminar do Governo em ponderar outras alternativas de travessia, que fossem amigáveis do desenvolvimento económico, teve apenas como objectivo aproveitar o antigo ramal de Estremoz e com isso escapar à avaliação de impacte ambiental da chamada “Ligação de Évora”, estratagema que teve agora de ser abandonado, com o Governo a recuar nessa opção, após a grande pressão popular sofrida no último ano e meio.

O PSD não compreende, igualmente, a insensibilidade e a inoperância da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC), relativamente a este assunto. Com efeito, os autarcas do PS e da CDU que formam aquela associação de municípios, na sua maioria, foram incapazes de tomar uma posição sólida, responsável e conjunta, na defesa da economia e do interesse dos empresários, dos comerciantes e das populações do Distrito de Évora, devendo ter exigido em tempo oportuno ao Governo que a travessia Sines-Caia levasse em consideração as dimensões da competitividade económica e territorial da sub-região de Évora.

Posição bem diferente foi tomada pelo Grupo Parlamentar do PSD, que por iniciativa do Deputado eleito pelo Circulo de Évora, António Costa da Silva, propôs em junho passado na Assembleia da Republica que a referida linha viesse a comportar três paragens no Alentejo Central, a saber: em Vendas Novas, Évora e na Zona dos Mármores.

Recorde-se que esta proposta veio a ser chumbada pelo PS e restante esquerda parlamentar, incluindo com os votos contra dos deputados João Oliveira, da CDU e Norberto Patinho, do PS, igualmente eleitos pelo Circulo Eleitoral de Évora.