“Comunidade Cigana faz parte da sociedade”, diz o mediador Luís Romão

Lus_RomaoOs ciganos portugueses têm baixos níveis de escolaridade, casam cedo, muitos recebem o Rendimento Social de Inserção e mais de metade admite que já passou fome.

Estes são alguns dos resultados do primeiro estudo nacional sobre as comunidades ciganas, encomendado pelo Alto Comissariado para as Migrações (ACM), e para o qual foram entrevistadas 1.599 pessoas ciganas, dispersas por todo o território nacional, durante o ano de 2014.

Luís Romão, mediador da comunidade cigana, garante que “esta comunidade faz parte da sociedade. Com as pessoas mais velhas a integração já não é total mas temos que ver os dois pontos de vista, durante vários anos a comunidade cigana sentiu-se perseguida e agora existe algum receio. Se a culpa é da comunidade cigana ou da sociedade maioritária, não sei mas que estamos completamente integrados estamos”.

No que diz respeito ao Rendimento Social de Inserção (RSI), Luís Romão refere que “identificam a comunidade cigana como subsídio-dependentes. É verdade. Mas isto acontece porque eles não têm outra fonte de rendimento e não têm como dar de comer aos filhos de outra maneira. No entanto, ultimamente têm trocado o rendimento por trabalho, ou seja, a maior parte dos beneficiários está a trabalhar porque os ciganos procuram trabalho, até porque a venda ambulante está extinta. As grandes superfícies comerciais acabar com os mercados”.

“Infelizmente a comunidade cigana ainda está ligada à marginalidade. Isso realmente acontece mas não somos todos. A mim o que me custa é que quando apontam o dedo a alguém apontam aos ciganos todos e depois pagamos todos pela mesma moeda. É isto que a sociedade maioritária ainda não consegue distinguir, ou seja, não conseguem fazer a diferença entre um nome e uma comunidade em geral”, lamentou.

Luís Romão destaca ainda a questão do casamento na comunidade cigana: “muito que se tem falado sobre a comunidade cigana casa cedo. É uma realidade. Mas se recuarmos à cerca de 40 anos atrás isto também acontecia. Eu lembro-me que o meu pai teve o primeiro filho com 16 anos. Mas os amigos do meu pai que não eram ciganos também casavam co0m esta idade. O que acontece é que a comunidade cigana conseguiu manter esta tradição e a sociedade maioritária não”. O mediador na escola de Santa Luzia esclarece que isto acontece “porque os ciganos não podem namorar. Eu, ao trabalhar com crianças vejo isto: uma jovem da sociedade maioritária começa a namorar com 13 anos, com 14 o namorado começa a ir a casa e com 15, provavelmente, começam a atividade sexual. A diferença é que os ciganos, para iniciarem a atividade sexual, têm que casar”.